Mercados

Incerteza leva investidor a mudar aposta

Investidores tentam proteger seu patrimônio comprando títulos com taxas de juro pós-fixadas, as chamadas Letras Financeiras do Tesouro Nacional


	Banco Central: se houver uma elevação nessa taxa, ganha quem estiver com esses papéis
 (Luiz Fernando Oliveira de Moraes/Wikimedia Commons)

Banco Central: se houver uma elevação nessa taxa, ganha quem estiver com esses papéis (Luiz Fernando Oliveira de Moraes/Wikimedia Commons)

DR

Da Redação

Publicado em 26 de setembro de 2014 às 09h41.

Brasília - Diante de incertezas criadas pelas eleições no Brasil e pelo cenário internacional, investidores tentam proteger seu patrimônio comprando títulos com taxas de juro pós-fixadas, as chamadas Letras Financeiras do Tesouro Nacional (LFT). O governo, que normalmente limita a oferta desses papéis, dobrou as vendas entre agosto e setembro, de R$ 6,3 bilhões para R$ 12,6 bilhões.

A estratégia do Tesouro Nacional, neste momento, é oferecer segurança e garantir rentabilidade ao investidor. Como a LFT é indexada aos juros básicos da economia, a taxa Selic, se houver uma elevação nessa taxa, ganha quem estiver com esses papéis.

Em contraponto, os donos de títulos com juros pré-fixados, a exemplo da LTN, podem ter perdas no curto prazo.

Os investidores estão preocupados com a sucessão presidencial e com incertezas relacionadas à atuação do Banco Central no próximo governo.

A mudança da política monetária nos Estados Unidos, com possibilidade de aumento dos juros por lá, além da retirada gradual de estímulos à economia, intensifica as incertezas.

"Setembro foi marcado por volatilidade um pouco maior na taxa de retorno dos títulos", disse o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido.

Com esse cenário, os agentes do mercado evitam títulos classificados como prefixados, ou seja, cuja rentabilidade é definida no momento da compra. O Tesouro se viu, assim, obrigado a incentivar a aquisição de LFTs por meio de deságio. Na prática, significa que o governo está pagando um adicional além do valor de face do papel.

No mercado, os operadores trabalham com a hipótese de aperto monetário no início de 2015, seja quem for o novo presidente.

"Em um ambiente de forte variação cambial, e com possibilidade de inflação alta mais na frente, além de aumento de juros (Selic), é mais seguro ter um título pós-fixado, no caso a LFT", avalia Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

Para Eduardo Velho, economista-chefe da Invx Global Partners, o mercado e o Tesouro perceberam que o momento é de volatilidade. "As eleições estão casadas com esse movimento de incerteza porque ninguém sabe como vai ser a política monetária, se vai ter aumento de juros", afirma.

Emissões

A dívida pública, em meio a esse quadro, recuou 0,17% em agosto na comparação com julho e somou R$ 2,16 trilhões. Os dados foram divulgados ontem pelo Tesouro. As vendas de títulos somaram R$ 52,2 bilhões no mês passado.

O coordenado da dívida, Fernando Garrido, classificou como "um volume bom de emissão". Os resgates, por outro lado, totalizaram R$ 71,1 bilhões, o que resultou num saldo líquido de R$ 18,8 bilhões em agosto.

Até o fim do ano, segundo o Tesouro Nacional, o estoque da dívida terá de subir em relação ao nível atual para entrar na banda estabelecida pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) de R$ 2,17 trilhões a R$ 2,32 trilhões. "A expectativa é que todos os indicadores do PAF sejam cumpridos até dezembro", disse Garrido.

O governo tem uma meta a ser cumprida, até o fim do ano, também em relação à composição da dívida. A parcela de títulos atrelados à Selic na dívida foi a única categoria que ficou fora das bandas do PAF em agosto, com participação de 20,2% .

O objetivo do governo é encerrar o ano com uma participação entre 14% e 19%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Acompanhe tudo sobre:Política no BrasilMercado financeiroTesouro NacionalEleiçõesEleições 2014Títulos públicos

Mais de Mercados

Dona do 'iFood europeu' entra na mira da Uber em disputa global por delivery

Lime, de patinetes elétricos, quer levantar US$ 2 bi em IPO nos EUA

FIDCs e FIIs movimentam mercado de capitais em 2026; ofertas passaram de R$ 230 bi

Citi lista fabricantes de bebidas que mais devem ganhar com a Copa