Ibovespa: às 11h45, o principal índice acionário brasileiro registrava queda de 0,49%, aos 195.004 pontos, após ter avançado quase 1% na abertura (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 17 de abril de 2026 às 11h58.
O Ibovespa se afastou das máximas e, por volta das 11h50, passou a cair. Às 11h45, o principal índice acionário brasileiro registrava queda de 0,49%, aos 195.004 pontos, após ter avançado quase 1% na abertura.
Mais cedo, o índice chegou a subir perto de 1%, impulsionado pelo alívio no cenário geopolítico, mas perdeu tração ao longo da manhã, em meio ao recuo acentuado das ações de petroleiras, especialmente da Petrobras, que exerce peso relevante na composição do índice.
Segundo Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, a alta mais contida do Ibovespa reflete, em parte, um movimento já antecipado pelo mercado. "O Ibovespa tem essa alta mais contida dado que, nos últimos dias, a própria alta do petróleo impulsionou a Petrobras. Isso já está precificado. Toda essa situação, porque a Petrobras puxou bastante o Ibovespa com essa alta nos últimos dias", afirma.
Na mesma linha, Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, destaca o impacto direto da queda das ações da estatal sobre o desempenho do índice.
"A Petrobras acelerou significativamente a queda. Por pesar demais na bolsa, ela acaba segurando um pouco a performance do índice. Está caindo quase 6%, e isso acaba freando a bolsa como um todo", diz.
Segundo Teles, os demais setores seguem com desempenho mais equilibrado, mas não conseguem compensar o efeito da petroleira. "Assim como ela serviu como um colchão nos momentos mais turbulentos, agora, com o petróleo caindo, o impacto no preço dela é muito forte", diz.
O dólar também diminuiu a queda frente ao real. Depois de tocar os R$ 9,95 na mínima do dia, a moeda recuava 0,38%, a R$ 4,974 no memso horário da bolsa. Ainda mantendo, contudo, o menor patamar desde março de 2024.
O movimento ocorre após o Irã anunciar, nesta sexta-feira, a reabertura total do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que todas as embarcações comerciais poderão transitar livremente pela região até o fim do cessar-fogo, previsto para a próxima quarta-feira, 22.
A normalização da rota derrubou os preços do petróleo e pressionou as ações do setor, que vinham sustentando o Ibovespa nos últimos dias. Mas, de acordo com o sócio da Valor Investimentos, o impacto do bloqueio anterior já havia sido parcialmente absorvido pelo mercado.
"Essa notícia do bloqueio não mexeu tanto assim, porque tem muita gente dizendo que a reabertura veio após um sufocamento econômico do Irã. O bloqueio aos navios gerava um prejuízo muito grande, na magnitude de cerca de US$ 300 milhões por dia", afirma.
Apesar do alívio inicial, o cenário ainda impõe cautela. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que, embora o estreito esteja aberto ao tráfego comercial, o bloqueio naval contra o Irã seguirá em vigor até a conclusão total das negociações entre os países.
"O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada", afirmou Trump em sua plataforma Truth Social.
A sinalização mantém parte das incertezas no radar e ajuda a explicar por que o Ibovespa perdeu força após a abertura, mesmo diante de um ambiente externo mais favorável.