Estreito de Ormuz: um terço do petróleo do mundo passa pela rota (GettyImages)
Repórter de finanças
Publicado em 17 de abril de 2026 às 10h28.
O ministro da Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, anunciou, nesta sexta-feita, 17, que a passagem de navios pelo Estreito Ormuz está “completamente aberta” pelo período do cessar-fogo entre o país e o Líbano, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã.
Como reflexo, os preços do petróleo despencam nesta manhã. A referência Brent cai 10,02% a US$ 89.43 o barril, enquanto a referência WTI com vencimento em maio cai 11,23% para US% 84,06 o barril e a com vencimento para junho recua 10,43% a US$ 81,75 o barril às 10h28. Durante os conflitos com entre Israel, Irã e Estados Unidos, o Brent chegou perto da casa dos US$ 120.
O que aconteceu ontem foi que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, declarou que Líbano e Israel chegaram a um acordo de cessar-fogo, que também envolve o Hezbollah. Os confrontos ocorrem desde 2 de março e, de acordo com o governo libanês, já resultaram em mais de 2 mil mortes.
Segundo Trump, após conversas “excelentes” com o presidente Joseph Aoun, do Líbano, e com o primeiro-ministro Bibi Netanyahu, de Israel, eles concordaram com um cessar-fogo de 10 dias. “Ambos os lados querem ver a paz, e acredito que isso acontecerá, e em breve”, disse o presidente em publicação na Truth Social.
O anúncio foi feito após cerca de um mês e meio de confrontos entre Israel e o Hezbollah, grupo libanês alinhado ao Irã. No início de março, a organização passou a integrar o conflito no Oriente Médio ao disparar foguetes contra Israel, em apoio ao Irã, que vinha sendo alvo de ataques dos Estados Unidos e dos israelenses.
O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais estratégicos do mundo porque funciona como um verdadeiro gargalo do comércio global de energia: cerca de 30% de todo o petróleo consumido no planeta passa por essa rota marítima estreita, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.
Isso significa que qualquer tensão militar, bloqueio ou instabilidade na região tem potencial de afetar diretamente a oferta global de petróleo, pressionar preços internacionais e gerar volatilidade nos mercados — com impacto imediato em inflação, câmbio e atividade econômica em diversos países.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, centenas de petroleiros e outras embarcações ficaram parados.