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Ibovespa hoje: Bolsa fecha em alta pelo 4º pregão seguido na contramão de Wall Street

Vale e Petrobras sobem e impulsionam alta do índice; investidores repercutem avanço de Jair Bolsonaro em pesquisas de intenção de voto

Painel de cotações na B3: Americanas (AMER3) lidera perdas do Ibovespa (Germano Lüders/Exame)

Painel de cotações na B3: Americanas (AMER3) lidera perdas do Ibovespa (Germano Lüders/Exame)

GG

Guilherme Guilherme

Publicado em 20 de outubro de 2022 às 10h52.

Última atualização em 20 de outubro de 2022 às 18h05.

O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, 20, pelo quarto pregão consecutivo. O movimento, que chegou a acompanhar a alta do mercado americano na primeira metade do pregão, se manteve positivo, mesmo com a virada negativa em Wall Street. Alta da Petrobras (PETR3) e Vale (VALE3) pavimentaram mais um dia de alta no mercado brasileiro, enquanto investidores repercutiam o avanço do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) em pesquisas eleitorais.

Segundo pesquisa Datafolha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manteve na liderança com 49% dos voto, mas Bolsonaro estreitou a diferença, subindo 1 ponto percentual para 45% dos votos. "O momento positivo parece estar favorável ao Bolsonaro", disse Pedro Patrão, sócio da HCI Invest.

A maior expectativa sobre uma possível virada de Bolsonaro ajudou a puxar as ações estatais Petrobras e Banco do Brasil (BBAS3), segundo Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. "É um setor visto como mais beneficiado por uma vitória de Bolsonaro."

Ilan Arbetman, analista de Research da Ativa Investimentos, acrescentou ainda o mercado tem visto como positivo esta redução de diferença entre os dois candidatos à presidência. "Com este spread menor, e um Congresso e Senado mais centro direita, existe um espaço menor para manobra muitos fortes. Além disso, as ações das estatais estavam com um desconto grande devido ao risco político."

  • Banco do Brasil (BBAS3): +4,20%, R$ 43,40 

Na Europa, bolsas fecharam em leve alta, em pregão marcado pela renúncia da primeira-ministra britânica Liz Truss nesta manhã.  Seu governo, marcado pela tentativa de implementar políticas expansionistas para sustentar o crescimento do Reino Unido, teve grande desaprovação do mercado, chegando a levar a libra à mínima histórica contra o dólar.

Após a queda de Liz Truss, a moeda britânica ganhou nova tração de alta, mas o efeito foi limitado na bolsa de Londres, que fechou em alta de 0,27%. "O mercado não está reagindo tão positivamente, porque o problema do Reino Unido vai além da primeira-ministra. Ainda deve haver algum populismo fical e energético, porque o preço da energia elétrica subiu muito para o britânico" , disse Victor Candido, economista chefe da RPS Capital.

  • EuroStoxx 50: +0,50

Em Wall Street, o dia foi negativo, com os principais índices do mercado dos Estados Unidos que fecharam em baixa nesta quinta-feira, após a divulgação dos dados sobre o mercado de trabalho e comentários de um dos diretores do Federal Reserve, Patrick Harker, da Filadélfia, que reforçaram as expectativas de que o Banco Central americano será agressivo na elevação das taxas de juros.

As ações subiram inicialmente no início da sessão, impulsionadas por altas de ações como a gigante IBM, que foi impulsionada pelos resultados trimestrais divulgados ontem. Todavia, o pregão virou quando Harker declarou que o Fed não terminou de aumentar os juros, pois a inflação alta ainda é persistente. E essas declarações empurraram o rendimento dos Títulos do Tesouro dos EUA para seu nível mais alto desde junho de 2008, em quase 4,24%.

O dólar, por sua vez, fechou em queda de 1,07%, aos R$ 5,15.

  • Dólar: -1,07%, R$ 5,15

Americanas (AMER3) desaba em meio a rumores sobre balanço

As ações da Americanas lideram as perdas do Ibovespa pelo segundo pregão consecutivo, chegando a cair mais de 12%. A forte desvalorização ocorre em meio a remures de que o resultado do terceiro trimestre da companhia será fraco. A percepção foi reforçada em relatórios recentes de analistas do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da Exame) e da XP. Via e Magazine Luiza, do mesmo setor, também apresentam fortes quedas, mas em ritmo mais moderado.

"O varejo está caindo bastante, com perspectivas negativas para os resultados", disse Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Setor do minério e aço lideram altas

Ações de siderurgias e mineradoras estão entre as maiores altas desta quinta, após notícia da Bloomberg de que a China estuda reduzir o período de quarentena para visitantes de dez para sete dias. A sinalização de maior afrouxamento das políticas de controle da covid-19 serviu de gatilho para aumentar o otimismo pela demanda de minério de ferro, segundo Moliterno. "Isso deu um certo alívio às ações do setor."

  • Usiminas (USIM5): + 2,99%, R$ 7,57
  • CSN (CSNA3): + 3,96%, R$ 13,38

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Justiça determina deposito de R$ 1,5 bi de Tim (TIMS3), Vivo (VIVT3) e Claro para a Oi (OIBR3)

A presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Maria Thereza de Assis Moura, determinou nesta quinta-feira, 20, que Vivo (VIVT3), Claro e TIM (TIMS3) depositem em juízo de R$ 1,52 bilhão como parte do pagamento relativo à compra pelas três operadoras dos ativos de telefonia móvel da Oi (OIBR3), cujo valor total é de R$ 16,5 bilhões.

A juíza não aceitou não aceitou o pedido de suspensão de liminar apresentado pelas três empresas, que adquiriram a Oi Móvel em leilão judicial em dezembro de 2020.

Além dos R$ 14,4 bilhões já pagos pelas operações, ainda faltam cerca de R$ 1,5 bilhões que deverão ser pagos como reajuste de preço.

Tim, Claro e Vivo argumentaram que a definição exata desse valor deveria ser realizada por meio de arbitragem, conforme previsto pelo contrato. Entretanto, a decisão do STJ foi de teor oposto.

Além disso, as três operadores estão tentando reduzir em R$ 3,18 bilhões o valor a ser pago pelos ativos móveis, salientando como a Oi deixou de cumprir obrigações previstas em contrato.

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