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Ibovespa fecha em baixa de 0,7%, mas sobe 1,9% na semana

Os papéis da Vale (VALE3) caíram fortemente devido ao balanço divulgado ontem

Ibovespa: índice sobe 1,92% na semana (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Ibovespa: índice sobe 1,92% na semana (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 18h24.

O Ibovespa fechou em queda de 0,69%, aos 186.464 pontos, nesta sexta-feira, 13, mas acumulou alta de 1,92% na semana. Apesar do recuo no dia, o índice atingiu pela primeira vez o patamar dos 190 mil pontos ao longo dos últimos pregões, renovando sua máxima histórica.

Hoje, o que pressionou o Ibovespa foi uma combinação de fatores internos e externos que reduziram o apetite ao risco. O movimento foi marcado por ajustes de posição antes do feriado prolongado de carnaval, dados econômicos domésticos mais fracos e recuo das principais commodities.

No campo doméstico, a divulgação das vendas no varejo abaixo do esperado reforçou a percepção de perda de fôlego da atividade neste início de ano.

“As vendas no varejo abaixo das expectativas reforçaram sinais de desaceleração da atividade econômica no início do ano, o que pesa sobre ações mais ligadas ao ciclo doméstico e abre espaço para realização de lucros após a alta recente do índice", afirma Christian Iarussi, economista, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital.

As commodities também contribuíram para o desempenho negativo do índice, com minério de ferro e petróleo caindo, o que levou as ações da Petrobras (PETR4) para uma queda de 0,59% e as ações da Vale (VALE3) para uma desvalorização de 2,47%.

Balanço de Vale

Mas mais do que o minério de ferro, os papéis da Vale caíram fortemente devido ao balanço divulgado ontem. A mineradora registrou prejuízo líquido atribuído aos acionistas de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025.

O resultado conta com os efeitos de uma baixa contábil (impairment) de US$ 3,4 bilhões referentes aos ativos de níquel da companhia no Canadá. Além disso, a linha final do balanço foi impactada por efeito tributário da ordem de US$ 2,8 bilhões.

Apesar disso, excluindo esses efeitos não recorrentes, a mineradora teria apresentado lucro líquido de US$ 1,464 bilhão, alta de 68% na comparação anual e queda de 47% em bases trimestrais — o que fez o mercado avaliar positivamente o balanço.

“A visão é positiva, porque o mercado foca, para além do prejuízo, na capacidade operacional. Afinal, os efeitos não recorrentes não afetam o caixa e nem a operação da Vale. Ela não está perdendo dinheiro, está apenas fazendo um ajuste contábil”, explica Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos.

O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) manteve uma recomendação de compra para a Vale. A mineradora conseguiu entregar resultados que superaram as projeções do banco, sustentando o recente momento positivo de suas ações. A Vale gerou um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) anualizado de 9% no trimestre. O BTG prevê um rendimento de dividendos de 8,1% para o ano de 2026.

Entretanto, as análises mais otimistas não são o suficiente para sustentar a mineradora.

CPI

Ainda no contexto de conseguir mais pistas sobre as próximas decisões do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), a agenda desta sexta ganha relevância. O Bureau of Labor Statistics divulgou o índice de preços ao consumidor (CPI).

O CPI dos Estados Unidos avançou 0,2% em janeiro na comparação mensal com ajuste sazonal. Em 12 meses, a inflação ficou em 2,4%.

O resultado mensal ficou abaixo das projeções da Bloomberg, que apontavam alta de 0,3% tanto para o índice cheio quanto para o núcleo. Em dezembro, o CPI subiu 0,3%.

Na comparação anual, a expectativa era de avanço de 2,5% para o índice cheio. O dado efetivo, de 2,4%, também ficou abaixo da projeção e desacelerou em relação aos 2,7% registrados nos 12 meses encerrados em dezembro.

O dado é central para as expectativas sobre a trajetória de juros americanos e tende a influenciar tanto as bolsas quanto o dólar e os rendimentos dos Treasuries

“Apesar do CPI americano ter vindo controlado e reduzido os rendimentos dos Treasuries, o ambiente global segue defensivo, com bolsas em Nova York neutras e o mercado mais seletivo, o que limita o fluxo para emergentes e contribui para o recuo do índice", conclui Iarussi.

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