Agenda do mercado: a agenda internacional ganha importância depois do movimento de alívio observado nos mercados na quarta-feira, 19 ( Andrey_Popov/Shutterstock)
Repórter
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 05h30.
Os mercados entram nesta quinta-feira, 20, de olho principalmente nos Estados Unidos, onde serão divulgados novos dados sobre o mercado de trabalho. No Brasil, a agenda reúne o leilão de títulos do Tesouro e a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), enquanto, na Europa, os investidores acompanham a ata da última reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). No Japão, os destaques são os dados de inflação e os índices preliminares de atividade.
A agenda internacional ganha importância depois do movimento de alívio observado nos mercados na quarta-feira, 19. O Ibovespa subiu 0,90%, aos 167.830 pontos, interrompendo uma sequência de 11 pregões consecutivos de perdas. O dólar à vista recuou 0,87%, para R$ 5,176, acompanhando o enfraquecimento global da moeda americana e a queda dos juros longos dos Treasuries.
O movimento foi favorecido pelo anúncio do Tesouro dos Estados Unidos de que o limite máximo das operações de recompra de Treasuries de longo prazo será elevado de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões, em uma tentativa de dar suporte à liquidez desses títulos. A questão agora é se o alívio externo terá continuidade ou se os mercados voltarão a refletir as preocupações que vinham pressionando os ativos.
Às 9h30, saem os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos Estados Unidos referentes à semana encerrada em 15 de agosto. Na divulgação anterior, foram registrados 209 mil novos pedidos, enquanto a expectativa para o dado desta quinta-feira é de 210 mil.
Também serão observados os pedidos contínuos, que estavam em 1,777 milhão na última leitura, com projeção de 1,790 milhão.
Os números entram no radar porque ajudam a medir a condição do mercado de trabalho americano e, consequentemente, podem influenciar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed). A ata da reunião de julho do Fed, divulgada ontem, mostrou que alguns dirigentes chegaram a defender uma alta dos juros, enquanto a maioria optou pela manutenção das taxas.
Além dos dados de emprego, o mercado americano acompanha às 14h o leilão de TIPS de 20 anos, títulos do Tesouro protegidos contra a inflação. A demanda pelo papel será observada em um momento de atenção especial aos juros de longo prazo americanos.
Às 17h30, o Banco Central dos EUA divulga seu balanço patrimonial. Na última divulgação, o total estava em US$ 6,760 bilhões.
No Brasil, o Tesouro realiza, às 11h30, leilão de NTN-F e LTN. O resultado pode ajudar a indicar como está a demanda dos investidores pelos títulos públicos em um momento de juros ainda elevados e de atenção ao cenário fiscal.
Antes disso, às 9h, acontece a reunião mensal do Conselho Monetário Nacional. O órgão define diretrizes para o Sistema Financeiro Nacional e pode trazer decisões ou discussões relevantes para o mercado.
A agenda doméstica também conta com a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O ministro da Fazenda, Dario Durigan, ainda tem entrevista à rádio CBN, às 7h30, e uma reunião com Mauricio Giamellaro, presidente e CEO do Grupo Heineken Brasil, às 16h.
Na Europa, às 8h30, o Banco Central Europeu divulga a ata da última reunião de política monetária. O documento detalha as discussões que embasaram a decisão de juros, além das avaliações dos dirigentes sobre inflação, atividade econômica e riscos para a economia da região.
O mercado deve buscar no documento pistas sobre o grau de consenso entre os integrantes do BCE e sobre os próximos passos da política monetária europeia.
No Japão, os investidores acompanham dois conjuntos de indicadores. Às 20h30, será divulgado o índice de preços ao consumidor de julho. Em junho, a inflação havia avançado 0,3% na comparação mensal e 1,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Às 21h30, saem os índices preliminares de gerentes de compras (PMIs) de agosto. A leitura anterior mostrou 54,5 pontos para a indústria, 51,2 pontos para serviços e 52,7 pontos no indicador composto. Os números ajudam a indicar o ritmo da atividade econômica japonesa e podem influenciar as expectativas em relação à política monetária do Banco do Japão.