Mercados

Dólar sobe pelo 4º dia seguido e se firma acima de R$3

O dólar subiu mais de 1% pelo quarto dia consecutivo e encerrou acima de R$ 3,01 hoje


	Notas de dólar: trata-se do maior nível de fechamento desde 13 de agosto de 2004
 (Stock.xchng)

Notas de dólar: trata-se do maior nível de fechamento desde 13 de agosto de 2004 (Stock.xchng)

DR

Da Redação

Publicado em 5 de março de 2015 às 17h20.

São Paulo - O dólar subiu mais de 1 por cento pelo quarto dia consecutivo e encerrou acima de 3,01 reais nesta quinta-feira, ainda pressionado por incertezas sobre o ajuste fiscal e as intervenções do Banco Central no câmbio.

A moeda norte-americana subiu 1,03 por cento, a 3,0115 reais na venda, após chegar a 3,0231 reais na máxima e 2,9798 reais na mínima da sessão. Trata-se do maior nível de fechamento desde 13 de agosto de 2004, quando fechou a 3,021 reais. Nos últimos quatro dias, o dólar acumulou alta de 5,44 por cento, levando a valorização no ano a 13,27 por cento.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 2 bilhões de dólares.

"O mercado já está testando o nível de 3 reais desde ontem. Bateu, bateu e agora firmou", resumiu o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

Investidores têm demonstrado preocupação com a possibilidade de o ajuste das contas públicas brasileiras não ser tão forte quanto o necessário, em meio a crescentes obstáculos políticos à implementação de cortes de gastos e aumentos de impostos.

Segundo analistas, as expectativas de uma política fiscal mais contracionista eram o único fator amortecendo a pressão exercida sobre o dólar pela deterioração dos fundamentos macroeconômicos brasileiros. A inflação deve superar 7 por cento no período mesmo com a provável contração da economia brasileira.

"Os problemas ainda são os mesmos. A tendência no curto, médio e longo prazos é dólar para cima", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

A perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos, que poderia atrair para a maior economia do mundo recursos atualmente aplicados em países como o Brasil, também vem elevando as cotações do dólar globalmente. Investidores buscarão mais sinais sobre quando isso de fato acontecerá no relatório de emprego do governo norte-americano, que será divulgado na sexta-feira.

O movimento do dólar no Brasil também veio em linha com os mercados externos, onde o mercado europeu puxava uma apreciação generalizada da divisa. A moeda europeia reagia à declaração do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, de que o BCE pode estender seu programa de compra de títulos para além de setembro de 2016, "se necessário", injetando mais euros no mercado global.

"O dólar subiu em todo o mundo, mas, como sempre, aqui foi pior", disse o operador de câmbio da corretora B&T Marcos Trabbold.

A pressão cambial tem levantado dúvidas sobre o futuro das intervenções do Banco Central no mercado, marcada para durar pelo menos até o fim deste mês. "Mesmo se os leilões forem acabar, é melhor isso do que ficar no escuro. Agora, há muita incerteza", disse o operador de uma corretora internacional.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 2 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, pelas rações diárias. Foram vendidos 1.700 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 300 para 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente a 98,3 milhões de dólares.

O BC também vendeu a oferta total no leilão de rolagem dos swaps que vencem em 1º de abril. Até agora, foram rolados cerca de 14 por cento do lote total, que corresponde a 9,964 bilhões de dólares.

*Atualizada às 17h20 do dia 05/03/2015
Acompanhe tudo sobre:CâmbioDólarMoedasMercado financeiroBanco CentralReal

Mais de Mercados

A queda da Barbie? Ações da Mattel despencam 24% após fraco desempenho no fim de ano

Domino’s nomeia um veterano do McDonald’s como seu novo CEO

País não sobrevive se metade das pessoas recebe cheque do governo, diz Stuhlberger

Produção da Petrobras cresce 19% no 4º trimestre, puxada pelo pré-aal