Mercados

Dólar sobe ante real com preocupação política

A alta da moeda norte-americana, no entanto, era contida pela disparada dos preços do petróleo

Dólar: às 10:30, o dólar avançava 0,55 por cento, a 3,3915 reais na venda (AFP/Reprodução)

Dólar: às 10:30, o dólar avançava 0,55 por cento, a 3,3915 reais na venda (AFP/Reprodução)

R

Reuters

Publicado em 12 de dezembro de 2016 às 10h36.

São Paulo - O dólar operava em alta ante o real nesta segunda-feira, com o mercado reagindo ao cenário político diante de mais denúncias envolvendo o núcleo do governo do presidente Michel Temer, que podem afetar o andamento das medidas econômicas no Congresso Nacional.

A alta da moeda norte-americana, no entanto, era contida pela disparada dos preços do petróleo, que favorecia o desempenho das moedas ligadas a commodities, após um acordo sobre produtores no final de semana.

Às 10:30, o dólar avançava 0,55 por cento, a 3,3915 reais na venda, depois de marcar 3,4090 reais na máxima do dia, alta de mais de 1 por cento. O dólar futuro subia 0,16 por cento.

Na semana passada, a moeda norte-americana acumulou perda de 2,87 por cento sobre o real.

"A delação atinge Temer e seus principais ministros, o que pode prejudicar sua governabilidade e dificultar a aprovação de medidas", comentou o agente autônomo da assessoria de investimentos Criteria, Felipe Favero.

Ele referia-se ao vazamento de delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho, que citou recursos repassados a líderes peemedebistas.

Foram citados o presidente Michel Temer, o ministro Eliseu Padilha, o secretário Moreira Franco, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), o presidente da Casa, Renan Calheiros (AL), e o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (RR).

Além disso, a desaprovação ao governo Temer subiu para 51 por cento em dezembro, ante 31 por cento em julho, acompanhada da queda na confiança na economia, segundo pesquisa Datafolha divulgada na véspera. O levantamento foi realizado entre 7 e 8 de dezembro, antes de surgirem detalhes de delação da Odebrecht.

Só nesta semana, o governo tem importantes votações no Congresso, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o crescimento do gasto público em segundo turno no Senado, na terça-feira.

"Uma votação apertada pode deixar os investidores ainda mais preocupados", comentou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

O movimento de alta do dólar era contido neste pregão pelo forte avanço dos preços do petróleo. Os contratos futuros da commodity chegaram a subir 6,5 por cento, atingindo máxima de 18 meses, após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e alguns de seus rivais chegarem ao seu primeiro acordo desde 2001 para reduzir conjuntamente a produção, tentando combater o excesso de oferta global e aumentar os preços.

O mercado também estava de olho na reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, na quarta-feira, com apostas amplamente majoritárias de que elevará os juros da maior economia do mundo. O importante também será a indicação de novos possíveis movimentos, após a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, que alimentou as preocupações de que sua política econômica será inflacionária e pode pressionar o Fed a elevar ainda mais os juros.

O Banco Central brasileiro realiza nesta manhã leilão de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares, para rolagem dos contratos com vencimento em janeiro. A oferta é de até 9.995 swaps e, se totalmente vendida, encerrará a rolagem do próximo mês.

Acompanhe tudo sobre:CâmbioDólarMercado financeiro

Mais de Mercados

Ibovespa vai aos 180 mil pontos em mais um dia de baixa; dólar segue em R$ 4,89

Senado dos EUA aprova indicação de Kevin Warsh para conselho do Fed

'Gostamos de dinheiro, não de ação social pela ação social', diz CEO da Petrobras

Petrobras não vê espaço para dividendos extraordinários em 2026