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Dólar sobe 0,6% com fluxo comprador e aversão ao risco

Internamente, o movimento de baixa inicial do dólar contou com a ajuda de um clima mais amenos após a operação Carne Fraca

Dólar: "A moeda caiu quase 10 centavos de real nos últimos dias. É natural que ao encostar em 3,05 reais a moeda atraia compradores" (leviticus/Thinkstock)

Dólar: "A moeda caiu quase 10 centavos de real nos últimos dias. É natural que ao encostar em 3,05 reais a moeda atraia compradores" (leviticus/Thinkstock)

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Reuters

Publicado em 21 de março de 2017 às 17h38.

São Paulo - O dólar abandonou a queda inicial e terminou a terça-feira em alta ante o real, sustentado por fluxo comprador atraído pelo nível baixo de preço e pela aversão ao risco que passou a predominar no mercado externo durante a tarde.

O dólar avançou 0,60 por cento, a 3,0900 reais na venda, depois de ter fechado a véspera em queda de quase 1 por cento, a 3,0717 reais. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,50 por cento.

Na mínima do dia, pela manhã, a moeda marcou 3,06 reais e, na máxima, à tarde, foi a 3,0951 reais.

"A moeda caiu quase 10 centavos de real nos últimos dias. É natural que ao encostar em 3,05 reais a moeda atraia compradores", explicou o sócio da Omnix Corretora, Vanderlei Muniz.

Na terça-feira passada, o dólar havia fechado a 3,1693 reais e, no pregão da véspera, foi a 3,0717 reais.

No início desta sessão, a moeda manteve a tendência de baixa dos dois pregões anteriores e caiu até à mínima de 3,06 reais e, a partir daí, passou a atrair fluxo comprador.

A trajetória predominante para a sessão, segundo os profissionais, seria a de baixa se no exterior a busca pelo risco do início dos negócios não tivesse sido substituída pela aversão ao risco, com o nervosismo dos investidores com a capacidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de avançar com as reformas prometidas em sua campanha presidencial.

Esse movimento derrubou as bolsas, içou o dólar ante divisas de emergentes no exterior e embutiu uma pressão adicional de alta na trajetória da moeda ante o real, apagando o efeito positivo decorrente do debate dos candidatos à Presidência na França.

No início dos negócios, a interpretação de que o candidato centrista, Emmanuel Macron, teria saído vitorioso impulsionou o euro e as moedas emergentes.

"Após o Brexit, uma eventual vitória de Marine Le Pen (com consequente saída da UE) poderia marcar, de fato, o começo do fim da União. Sendo assim, por enquanto investidores reagem comprando euro", resumiu a H.Commcor em relatório a clientes para justificar o desempenho do dólar no exterior.

Nesta terça-feira, o euro operava acima de 1,08 dólar após o debate da véspera. O dólar caía 0,68 por cento ante uma cesta de moedas, mas subia ante o rand sul-africano, a lira turca e o peso mexicano.

Internamente, o movimento de baixa inicial do dólar também contou com a ajuda de um clima mais amenos após a operação Carne Fraca.

Os investidores, no entanto, continuaram monitorando eventuais desdobramentos que possam afetar o desempenho da balança comercial brasileira e o fluxo de ingresso de recursos para o Brasil.

A Coreia do Sul voltou atrás na suspensão à carne de frango brasileira após o Brasil afirmar que os embarques para o país não continham produtos alterados.

China, União Europeia e Chile continuam com suspensão temporária às compras de carne brasileira. E, nesta terça-feira, Hong Kong e Suíça anunciaram embargo ao produto nacional.

"O investidor está atento à questão da carne e também da política, de olho se isso poderá atrapalhar a votação de reformas no Congresso", avaliou Muniz.

O Banco Central brasileiro vendeu integralmente nesta sessão o lote de até 10 mil swaps tradicionais --equivalente à venda futura de dólares --ofertados para rolagem dos contratos de fevereiro.

Com isso, reduziu a 7,711 bilhões de dólares o total que vence em abril e que ainda resta para rolar.

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