Dólar: movimento no mercado doméstico acompanhou a fraqueza global da moeda americana (Rmcarvalho/Getty Images)
Repórter
Publicado em 24 de abril de 2026 às 17h30.
O dólar à vista voltou a fechar abaixo do patamar de R$ 5 nesta sexta-feira, 24, após perder força na reta final do pregão. A moeda americana encerrou o dia em leve queda de 0,10%, cotada a R$ 4,998, depois de oscilar entre a máxima de R$ 5,025 e a mínima de R$ 4,994.
Na véspera, a divisa havia voltado a superar os R$ 5, nível que não era rompido havia 11 dias, desde quando caiu abaixo desse patamar pela primeira vez em mais de dois anos.
O movimento no mercado doméstico acompanhou a fraqueza global do dólar, em um ambiente de melhora na percepção de risco internacional. Investidores reagiram a sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o que reduziu prêmios geopolíticos e favoreceu ativos de maior risco, como moedas emergentes.
O índice DXY, que mede a força da divisa frente a uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, recuava 0,30%, aos 98,53 pontos, às 17h.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta que o Irã pretende apresentar uma proposta para atender às exigências americanas. "Eles estão fazendo uma oferta e teremos que ver", disse, em entrevista.
Segundo Trump, enviados especiais — Steve Witkoff e Jared Kushner — foram deslocados para negociações com o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, em Islamabad, com novas rodadas previstas para o fim de semana.
A mudança de tom por parte do Irã e a expectativa de retomada de negociações presenciais contribuíram para aliviar as tensões em torno do conflito, favorecendo o ambiente externo.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o comportamento da moeda reflete esse cenário mais construtivo.
"O dólar está de lado hoje em relação ao real, em leve queda, em linha com o DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente às principais moedas do mundo. Esse movimento está em linha, na minha visão, com o leve otimismo que toma conta do mercado americano, mais confiante em novas negociações no Oriente Médio", afirma.
Na mesma linha, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que o câmbio respondeu principalmente ao ambiente externo mais benigno.
"O dólar operou em queda ao longo da sessão, mesmo com momentos de volatilidade no início, refletindo a fraqueza global da moeda americana. Sinais de continuidade nas negociações entre EUA e Irã e a extensão do cessar-fogo ajudaram a reduzir o prêmio de risco geopolítico, enquanto a queda nos rendimentos de curto prazo das Treasuries enfraqueceu o DXY", diz.
Segundo Shahini, no Brasil, o movimento foi reforçado pelo fechamento da curva de juros. "O cenário externo acabou prevalecendo nesta sexta, resultando em um dólar em queda, devolvendo ganhos do dia anterior".
Na semana, o dólar acumulou leve alta de 0,29%, refletindo um equilíbrio entre fatores domésticos e, principalmente, o noticiário internacional.
Apesar de momentos de volatilidade, incluindo o retorno pontual acima de R$ 5, a moeda americana ainda acumula queda de 8,95% no ano e de 12,19% nos últimos 12 meses.