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Dólar fecha abaixo de R$ 5, mas sobe 0,29% na semana: o que explica?

A moeda americana encerrou o dia em leve queda de 0,10%, cotada a R$ 4,998

Dólar: movimento no mercado doméstico acompanhou a fraqueza global da moeda americana (Rmcarvalho/Getty Images)

Dólar: movimento no mercado doméstico acompanhou a fraqueza global da moeda americana (Rmcarvalho/Getty Images)

Publicado em 24 de abril de 2026 às 17h30.

O dólar à vista voltou a fechar abaixo do patamar de R$ 5 nesta sexta-feira, 24, após perder força na reta final do pregão. A moeda americana encerrou o dia em leve queda de 0,10%, cotada a R$ 4,998, depois de oscilar entre a máxima de R$ 5,025 e a mínima de R$ 4,994.

Na véspera, a divisa havia voltado a superar os R$ 5, nível que não era rompido havia 11 dias, desde quando caiu abaixo desse patamar pela primeira vez em mais de dois anos.

O movimento no mercado doméstico acompanhou a fraqueza global do dólar, em um ambiente de melhora na percepção de risco internacional. Investidores reagiram a sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o que reduziu prêmios geopolíticos e favoreceu ativos de maior risco, como moedas emergentes.

O índice DXY, que mede a força da divisa frente a uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, recuava 0,30%, aos 98,53 pontos, às 17h.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta que o Irã pretende apresentar uma proposta para atender às exigências americanas. "Eles estão fazendo uma oferta e teremos que ver", disse, em entrevista.

Segundo Trump, enviados especiais — Steve Witkoff e Jared Kushner — foram deslocados para negociações com o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, em Islamabad, com novas rodadas previstas para o fim de semana.

A mudança de tom por parte do Irã e a expectativa de retomada de negociações presenciais contribuíram para aliviar as tensões em torno do conflito, favorecendo o ambiente externo.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o comportamento da moeda reflete esse cenário mais construtivo.

"O dólar está de lado hoje em relação ao real, em leve queda, em linha com o DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente às principais moedas do mundo. Esse movimento está em linha, na minha visão, com o leve otimismo que toma conta do mercado americano, mais confiante em novas negociações no Oriente Médio", afirma.

Na mesma linha, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que o câmbio respondeu principalmente ao ambiente externo mais benigno.

"O dólar operou em queda ao longo da sessão, mesmo com momentos de volatilidade no início, refletindo a fraqueza global da moeda americana. Sinais de continuidade nas negociações entre EUA e Irã e a extensão do cessar-fogo ajudaram a reduzir o prêmio de risco geopolítico, enquanto a queda nos rendimentos de curto prazo das Treasuries enfraqueceu o DXY", diz.

Segundo Shahini, no Brasil, o movimento foi reforçado pelo fechamento da curva de juros. "O cenário externo acabou prevalecendo nesta sexta, resultando em um dólar em queda, devolvendo ganhos do dia anterior".

Dólar tem leve alta semanal

Na semana, o dólar acumulou leve alta de 0,29%, refletindo um equilíbrio entre fatores domésticos e, principalmente, o noticiário internacional.

Apesar de momentos de volatilidade, incluindo o retorno pontual acima de R$ 5, a moeda americana ainda acumula queda de 8,95% no ano e de 12,19% nos últimos 12 meses.

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