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Ibovespa cai pela 3º vez e tem pior semana em mais de um mês — NY subiu

O principal índice acionário da B3 recuou 0,33%, aos 190.745 pontos, com giro financeiro de R$ 24,9 bilhões

Ibovespa: na semana, o índice acumulou perda de 2,55%, no pior desempenho em seis semanas (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa: na semana, o índice acumulou perda de 2,55%, no pior desempenho em seis semanas (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 24 de abril de 2026 às 17h50.

Última atualização em 24 de abril de 2026 às 17h57.

O Ibovespa voltou a cair nesta sexta-feira, 24, ampliando o movimento de correção recente após renovar máximas históricas. O principal índice acionário da B3 recuou 0,33%, aos 190.745 pontos, com giro financeiro de R$ 24,9 bilhões. Na semana, o índice acumulou perda de 2,55%, no pior desempenho em seis semanas.

O movimento foi puxado principalmente pelas ações ligadas a petróleo, em meio ao recuo da commodity no mercado internacional. Os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) caíram 0,97% e 1,28%, respectivamente, refletindo o alívio nos preços do petróleo diante da expectativa de uma possível desescalada das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.

O setor bancário também voltou a pesar sobre o índice, repetindo a dinâmica das últimas sessões. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,30%, enquanto Santander (SANB11) recuou 0,60% e Bradesco (BBDC4) perdeu 0,25%. O BTG Pactual registrou baixa de 0,13%.

Na contramão, o Itaú (ITUB4) avançou 0,43%. Já a Vale (VALE3) ficou praticamente estável, com leve queda de 0,12%, mesmo com a alta de 0,19% do minério de ferro no exterior.

Entre os destaques negativos do pregão, a Brava Energia (BRAV3) liderou as perdas, com queda de 5,75%, seguida por Vamos (VAMO3), que recuou 3,24%.

Do lado positivo, a Hapvida (HAPV3) subiu 5,94%, liderando os ganhos do índice, acompanhada por Usiminas (USIM5), que avançou 5,55% após divulgar resultados trimestrais acima das expectativas. A Braskem (BRKM5) também teve forte desempenho, com alta de 5,28%.

No cenário internacional, investidores monitoraram declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que o Irã pretende apresentar uma proposta para atender às exigências americanas. "Eles estão fazendo uma oferta e teremos que ver", disse em entrevista.

Segundo a Casa Branca, enviados especiais foram direcionados para negociações no Paquistão, elevando as expectativas de retomada do diálogo entre os países.

A mudança de tom por parte do Irã e a possibilidade de novas negociações presenciais contribuíram para uma melhora na percepção de risco global — o que, paradoxalmente, pressionou o petróleo e impactou negativamente ações do setor no Brasil.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o recuo do Ibovespa reflete um movimento técnico combinado a fatores externos.

"O Ibovespa cai em um movimento de aprofundamento da correção do mercado local, iniciado há alguns pregões, após renovar máximas históricas e, em paralelo, mas não menos importante, aprofundado pelo setor de petróleo e gás, que recuam com os preços do petróleo e perspectivas de uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã", afirma.

Segundo ele, o ambiente externo segue mais favorável às bolsas americanas. "Há otimismo no mercado americano por conta da sinalização de novas tentativas de acordo entre EUA e Irã, com o envio de Jared Kushner ao Paquistão para conversas com ministros iranianos. Colabora também a temporada de balanços, que vem trazendo bons números nos resultados corporativos das empresas americanas", diz.

No mercado doméstico, Perri destaca que “entre as quedas do Ibovespa, o destaque fica para o setor de petróleo e gás natural, com Petrobras, Brava e Prio. Bancos, varejistas e incorporadoras também recuam, apesar da queda de prêmios na curva de juros”.

Por outro lado, alguns papéis se descolaram do movimento negativo. “Do lado positivo, Hapvida sobe com o aumento de posição dos controladores na companhia, enquanto Usiminas reage a um balanço melhor do que o esperado”, conclui.

Ibovespa descola das bolsas de NY

As bolsas de Estados Unidos fecharam sem direção única nesta sexta-feira, com o Dow Jones em leve queda, enquanto S&P 500 e Nasdaq renovaram recordes de fechamento, impulsionados pelo rali das ações de tecnologia.

O destaque ficou para a Intel, que disparou 23,64% após divulgar resultados e projeções acima do esperado. No dia, o Dow caiu 0,16%, aos 49.230,71 pontos, enquanto o S&P 500 avançou 0,80%, aos 7.165,08 pontos, e o Nasdaq subiu 1,63%, aos 24.836,60 pontos.

Na semana, o Dow acumulou perda de 0,44%, ao passo que o S&P 500 subiu 0,55% e o Nasdaq registrou alta de 1,50%. Investidores também seguiram atentos ao cenário geopolítico, com aumento das expectativas por um novo encontro entre representantes de EUA e Irã no Paquistão neste fim de semana.

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