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Dólar tem maior queda em dois anos com otimismo sobre reabertura econômica

Após destoar negativamente na sessão anterior, real foi a moeda que mais ganhou força entre as emergentes

Dólar: o dólar à vista fechou a sessão da véspera em alta de 0,82%, a 5,3843 reais na venda (the_burtons/Getty Images)

Dólar: o dólar à vista fechou a sessão da véspera em alta de 0,82%, a 5,3843 reais na venda (the_burtons/Getty Images)

GG

Guilherme Guilherme

Publicado em 2 de junho de 2020 às 17h15.

Última atualização em 2 de junho de 2020 às 17h22.

O dólar teve forte desvalorização frente ao real, nesta terça-feira, 2, em mais um dia de bom humor nos mercados internacionais com a expectativa de que as economias se recuperem conforme os processos de reabertura avançam em diversos países. Por aqui, o dólar fechou em queda de 3,23%, sendo vendido a 5,210 reais. A queda foi a maior desde 8 de junho de 2018, quando a moeda americana caiu 5,59%. O dólar turismo caiu 2,8%, cotado a 5,51 reais.

Entre as principais divisas emergentes, o real foi a que mais se valorizou nesta terça. No pregão anterior, o real destoou do resto do mundo ao se desvalorizar. De acordo com o diretor da Correparti, Roberto Gomes da Silva, a atuação do Banco Central, que, na véspera fez dois leilões no mercado à vista “reverberou” ao longo da sessão. “[O BC] demonstrou o desconforto da autoridade monetária com a nova escalada da divisa estrangeira ante o real”, escreveu em relatório.

Na sessão de ontem, a moeda havia fechado em alta pressionada, principalmente, pelos acontecimentos políticos do fim de semana. "O Brasil tem fatores de influência que os diferencia neste momento para pior, e isso passa mais pelas tensões políticas do que pelas conhecidas razões fiscais e econômicas", afirmou, em relatório, Sidnei Nehme, economista e diretor executivo da NGO Corretora.

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Também ajudou a endossar o otimismo no mercado a notícia do Global Times, que afirma que a China continua comprando soja americana. Na segunda-feira, a Bloomberg informou que o governo chinês havia interrompido as importações de produtos agrícolas americanos, incluindo a soja, que fazia parte do acordo comercial entre os dois países.

Ainda assim, o mercado continua atento aos desdobramentos da tensão entre os dois países. Na semana passada, o presidente Donald Trump anunciou retaliações à China como resposta à tentativa do governo chinês de obter maior controle sobre Hong Kong por meio da lei de segurança nacional. A China prometeu um contra-ataque, mas até agora não anunciou medidas.

Sem claras ameaças à primeira fase do acordo comercial, o mercado vê um esfriamento, mesmo que momentâneo, do tema e volta suas preocupações para as manifestações antirracistas nos Estados Unidos, desencadeadas após o cidadão negro George Floyd ser assassinado pela polícia de Minneapolis. Trump ameaçou usar o exército “para resolver” o que ele considera ser “atos de terrorismo doméstico”. Pouco mais de 20 dos 50 estados americanos já contam com a presença da guarda nacional para conter os protestos.

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