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Dólar acelera alta e atinge R$2,45 após ata do Fed

Segundo ata, banco central americano avalia criar mecanismo para reduzir liquidez após encerrar a atual política de compra de títulos


	Dólar: avanço da moeda no Brasil foi mais forte do que o observado em relação a outras moedas de países emergentes
 (Alex Wong/Getty Images)

Dólar: avanço da moeda no Brasil foi mais forte do que o observado em relação a outras moedas de países emergentes (Alex Wong/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 21 de agosto de 2013 às 16h56.

 São Paulo - O dólar acelerou a alta e atingiu o nível de 2,45 reais pela primeira vez em mais de quatro anos após investidores virem, na ata do Federal Reserve divulgada nesta tarde, sinais de que o banco central norte-americano está prestes a reduzir seu programa de estímulo monetário.

Contribuiu para essa percepção a notícia de que o Fed avalia a criação de um novo mecanismo para reduzir a liquidez nos mercados norte-americanos.

Às 16h02, o dólar avançava 2,4 por cento, para 2,4512 reais na venda. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava bastante baixo, pouco acima de 200 milhões de dólares.

O avanço do dólar no Brasil era mais forte do que o observado em relação a outras moedas de países emergentes. Sobre uma cesta de moedas, o dólar tinha alta de 0,4 por cento.

Para especialistas, o Banco Central pode voltar a atuar nesta sessão.

"O mercado lá fora piorou devido ao Fed e, como aqui o mercado está estupidamente especulativo, a notícia que era um pouco ruim lá fora fica aqui péssima", afirmou o operador de uma corretora internacional.

O Fed informou que avalia uma nova ferramenta para ajudá-lo a drenar recursos do sistema bancário e manter as taxas de juros de curto prazo no nível almejado quando decidir alterar sua atual política expansionista, mostrou nesta quarta-feira a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).

Mas o documento, ao mesmo tempo, deu poucos sinais sobre o momento da redução do programa de compra de títulos.

O dólar já abriu o dia em alta, sob a expectativa da divulgação da ata do Fed, mesmo após atuações do BC. A autoridade monetária realizou um leilão de swap tradicional --equivalente a venda de dólares no mercado futuro-- durante a manhã e, mais tarde, anunciou que ofertará na quinta-feira mais 20 mil contratos de swap tradicional com vencimento em 1º de abril de 2014. O leilão ocorrerá entre as 10h30 e as 10h40 e o resultado será divulgado a partir das 10h50.

Ambas as ofertas têm como objetivo a rolagem de contratos com vencimento previsto para 2 de setembro deste ano.

Analistas acreditam que a autoridade monetária voltará a atuar com mais força em breve, oferecendo lotes maiores de swap, como parte de uma estratégia para conter possíveis ações especulativas que dão gás à alta do dólar e colocam em risco a inflação.

"O BC deveria ofertar swaps com lotes maiores e com mais sequência, não deixando o mercado respirar para coibir especulação e deixar a flutuação da moeda de acordo com o fluxo", afirmou o especialista de câmbio da corretora Icap, Ítalo dos Santos.

Na terça-feira, a autoridade monetária aumentou os instrumentos de intervenção no câmbio, realizando vendas de swap no mercado futuro e um leilão de linha no mercado à vista, por meio de venda de dólares com compromisso de recompra.

Além disso, o próprio presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, elevou o tom contra especuladores, dizendo que quem apostava em uma única direção do câmbio poderá sofrer perdas.

"O BC procurará quebrar a resistência dos especuladores e colocar o preço da moeda norte-americana em linha de ajuste, direcionado gradualmente ao preço de 2,30 reais, provavelmente não menos do que isto", afirmou o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme.

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