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DEX quer fazer mercado de ETF maior que a própria indústria de fundos

Gestora cria infraestrutura para expansão dos chamados 'fundos de índice', que crescem no Brasil, mas ainda são incipientes

ETFs: mercado somou R$ 82 bilhões em patrimônio líquido em 2025 (Getty Images)

ETFs: mercado somou R$ 82 bilhões em patrimônio líquido em 2025 (Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 09h00.

O mercado de ETFs ainda é pequeno no Brasil, mas começa a ganhar tração — e é justamente nesse espaço que nasce a proposta da DEX. A iniciativa, segundo Renato Nobine, gestor e sócio da Buena Vista Capital, quer atacar vários gargalos que hoje travam o desenvolvimento desse universo no país.

O mercado de fundos no Brasil fechou 2025 com um patrimônio líquido de R$ 10,7 trilhões. Desse total, os ETFs representam somente R$ 82 bilhões, segundo dados da Anbima.

Mas, ao mesmo tempo, o ritmo é de avanço: “Se você considerar o crescimento do ano passado, é praticamente 100%. Eu acredito que o mercado de ETF vai ser bem maior do que a indústria de fundos”, diz.

Nesse contexto, a DEX surge, segundo Nobile, a partir de dores vividas na prática por quem já estrutura ETFs: gestores, provedores de índices, formadores de mercado e investidores. O nome, inclusive, vem dessa ligação direta com índices: “DEX vem de index, que é uma referência a índice, porque quando você fala de ETF, você sempre lembra de índice.”

Mas o gestor afirma que o Brasil ainda está no começo dessa curva. “Eu considero um processo natural da evolução do mercado. O Brasil vai chegar também a ter um número maior de investidores em ETF, mas leva muito tempo. Não é uma coisa que vai acontecer do dia para a noite.”

Para isso avançar, ele aponta alguns pilares, como educação e evolução regulatória. “Não existe uma regulação específica para ETF hoje no Brasil. A regulação é para fundos indexados. Precisamos realmente evoluir para dar mais espaço à inovação.”

Índices customizados

O coração do projeto está na DEX Index, a vertical dedicada à criação de índices. Mas, aqui, a proposta não é competir com grandes referências globais. “O nosso objetivo não é concorrer com a S&P ou Nasdaq. O nosso objetivo é índices customizados.”

A lógica é transformar estratégias de investimento em regras claras e replicáveis. “Imagina que um gestor tenha uma ideia completamente alternativa. A gente tem a capacidade de fazer isso de maneira muito rápida e customizada.” Em vez de criar índices amplos como o Ibovespa, a DEX quer estruturar índices sob medida para estratégias específicas.

Nobile cita exemplos de produtos que já seguem essa lógica. Um deles é um ETF baseado em uma carteira que investe em empresas globais, excluindo Estados Unidos e Canadá, combinada com derivativos para geração de renda.

Para que um investidor brasileiro tivesse acesso a algo parecido por meio de um fundo tradicional, seria necessário um gestor local replicando, na prática, uma carteira com cerca de 2 mil empresas em aproximadamente 16 países, além de toda a estrutura com opções — algo humanamente impossível de fazer no dia a dia.

Além disso, investir diretamente no ETF estrangeiro envolve questões de regulação, tributação e liquidez que dificultam o acesso. “A solução é justamente transformar essa estratégia complexa em um índice padronizado”, explica.

Ou seja, a DEX pegou a lógica da carteira original, fez todos os cálculos e regras necessárias, e criou um índice que serve de base para o ETF brasileiro acompanhar exatamente o mesmo desempenho da estratégia estrangeira.

Outro caso envolve criptoativos. “A gente compra o Ethereum e faz estratégias de opções sobre contrato futuro de Ethereum para pagamento de dividendos. Mesma coisa: pegamos o conceito da estratégia, colocamos dentro do índice e disponibilizamos para o lançamento de ETF.”

DEX como ecossistema

Apesar de atuar nesse universo, a DEX não será uma gestora nem uma plataforma de negociação. A proposta é funcionar como uma camada de infraestrutura e informação.

Esse ecossistema foi dividido em quatro frentes de atuação (contando com a criação de índices). A primeira delas é o DEX Portal, voltado à produção de conteúdo. A ideia é ampliar a cobertura de um segmento que ainda recebe pouca atenção da mídia especializada.

Outra frente é a DEX Educação, com cursos e certificações. “Vamos ter conteúdos gratuitos, tanto para o investidor final quanto para o assessor, mas também vamos estar trazendo para o Brasil a maior certificação de ETFs do mundo.”

Segundo ele, isso responde a uma carência clara do mercado: “É uma dor de todos os gestores: contratar alguém que entenda mesmo a fundo de ETFs no Brasil, porque é um mercado pequeno e realmente tem poucas pessoas que estão nesse ecossistema.”

Além dos índices, a DEX também quer atuar com dados e análises. A ideia é oferecer informações detalhadas sobre os produtos disponíveis no mercado. Será uma plataforma de informações sobre ETFs, que vai conter: composição detalhada dos ETFs, comparação de custos, fluxos de entrada e saída e quem está lançando novos produtos.

A última perna é a de eventos, com a proposta de trazer ao Brasil um grande encontro do setor. “Não é só ter um evento que vai ser referência para o mercado de ETF, é para promover encontros entre investidores, assessores e gestores.”

Para Renato, tudo isso se encaixa em um movimento maior de transformação do mercado. Ele faz questão de frisar que ETF não é um produto em si, mas uma estrutura.

“O ETF é um veículo, não é um produto. É onde vai ser estruturada uma estratégia.”

E, na visão dele, é um veículo mais eficiente do que muitos fundos tradicionais: “No final, o investidor está entendendo que ele tem liquidez de bolsa, que ele pode comprar e vender a qualquer hora que o mercado está aberto, tem eficiência de custo e transparência total.”

Criação da DEX

A DEX foi criada pelos sócios da Buena Vista Capital e faz parte do portfólio de investidas do braço de Venture Capital da gestora. Para viabilizar o projeto, foram investidos aproximadamente R$ 10 milhões, desde a concepção até o lançamento oficial da empresa.

A iniciativa conta com a participação societária/estratégica e o apoio de alguns dos principais nomes do mercado americano de ETFs, entre eles Tom Lydon, Garrett Paolella e Troy Cates, profissionais com longa trajetória na criação, distribuição e gestão de ETFs nos Estados Unidos.

Além disso, a DEX estabelece parcerias estratégicas com referências globais do setor, como VettaFi e ETF Action, fortalecendo seu posicionamento como uma plataforma conectada às melhores práticas e tendências internacionais.

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