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Copasa descola do Ibovespa e sobe com avanço em privatização

Em relatórios, bancos avaliaram positivamente os parâmetros do processo de privatização da Copasa apresentados pelo governo

Copasa: Ações ordinárias da Copasa: ações chegaram a liderar ganhos do Ibovespa (Copasa/Divulgação)

Copasa: Ações ordinárias da Copasa: ações chegaram a liderar ganhos do Ibovespa (Copasa/Divulgação)

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 16h30.

As ações da Copasa (CSMG3) figuram entre as maiores altas do pregão desta sexta-feira, 30, em um dia marcado por forte queda do Ibovespa. Desde a abertura do mercado, às 9h, os papéis da companhia mineira de saneamento operam em alta, destoando do movimento negativo do índice de referência da bolsa brasileira.

Perto das 16h, as ações ordinárias da Copasa, que dão direito a voto, avançavam 1,19%, cotadas a R$ 51,05, figurando entre as maiores altas do dia. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 1,09%, voltando ao patamar dos 181 mil pontos.

O desempenho positivo ocorre em meio ao avanço do processo de desestatização da companhia. Nesta semana, a Copasa informou ter recebido do governo de Minas Gerais, seu acionista controlador, os documentos com a modelagem da proposta de privatização e as alterações necessárias em seu estatuto social.

Ontem, o conselho de administração aprovou a conversão das ações ordinárias detidas pelo Estado em uma golden share, de acordo com a empresa em comunicado ao mercado.

O governo de Minas Gerais também já definiu os parâmetros do processo de privatização da Copasa, responsável pelo abastecimento de água e esgoto em 75% dos municípios do estado.

A modelagem seguirá estrutura semelhante à adotada na desestatização da Sabesp, no formato de corporation, sem um controlador definido, mas com a possibilidade de entrada de um investidor estratégico com papel relevante na gestão.

A operação ocorrerá exclusivamente por meio de uma oferta secundária de ações, sem emissão de novos papéis. Com isso, o governo estadual poderá vender parte ou a totalidade de sua participação atual, de 50,03%. O modelo permite que o Estado mantenha até 5% do capital, caso haja um investidor estratégico de referência.

O desenho da privatização prevê ainda que um investidor estratégico, nacional ou internacional, possa deter ao menos 30% do capital da Copasa, desde que comprove capacidade financeira e experiência em infraestrutura.

Esse investidor ficará sujeito a um período de lock-up de quatro anos sobre 100% da participação adquirida, sendo que 50% dessa fatia só poderá ser negociada após 2033 ou após o cumprimento das metas de universalização dos serviços de água e esgoto, o que ocorrer primeiro. O estatuto social também limitará o poder de voto a 45% por acionista ou grupo.

Bancos elogiam o modelo

Em relatórios, bancos avaliaram positivamente a modelagem apresentada. O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) destacou que o formato atende ao objetivo de maximizar o valor da companhia e criar condições para a universalização do saneamento básico no estado.

O banco mantém recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 52 para os próximos 12 meses, estimando valorização potencial de 1,3% e dividend yield de 3,9%.

O Santander também considerou positiva a definição do modelo, destacando a possibilidade de entrada de um investidor estratégico, a realização da privatização via oferta secundária, a exigência de experiência em infraestrutura e o alinhamento ao novo marco do saneamento.

Já o UBS BB manteve a recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 48, e avalia que a criação da golden share representa mais um passo na direção da desestatização, reduzindo riscos da operação e trazendo maior segurança ao processo, que deve ser concluído na metade deste ano.

O Safra também destacou que as diretrizes propostas são positivas e incluem algumas melhorias em comparação com outros modelos de privatização concluídos nos últimos anos. "Já que direitos de voto mais elevados, uma participação menor do governo estadual na empresa após a privatização e regras de lock-up diferentes provavelmente atrairão mais licitantes", afirmou a instituição em relatório.

"Lembramos que, em nossa última atualização, mencionamos que, supondo eficiências adicionais, melhores resultados de revisão, um custo de capital mais baixo, entre outras melhorias comuns após uma privatização, nosso preço-alvo poderia aumentar para R$ 65. Acreditamos que o mercado receberá bem as diretrizes iniciais propostas, enquanto aguarda detalhes adicionais", acrescentou o Safra.

Para que a privatização avance, o modelo ainda depende de aprovações societárias, anuência de credores e condições macroeconômicas e de mercado. O governo mineiro informou que os recursos arrecadados com a venda das ações serão destinados à redução da dívida do Estado com a União.

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