Petróleo dispara: Brent sobe cerca de 55%, o que representa um recorde histórico mensal, superando o avanço de 46% registrado em setembro de 1990, durante a Guerra do Golfo (Montagem/Canva/Exame)
Repórter
Publicado em 30 de março de 2026 às 16h49.
Os preços do petróleo seguem em forte alta e caminham para um fechamento mensal histórico, em meio à intensificação das tensões no Oriente Médio e ao avanço da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Os contratos futuros do Brent, referência mundial, estão prestes a registrar a maior valorização mensal desde a criação do contrato, impulsionados pela escalada do conflito no Oriente Médio, que já entra em sua quinta semana, e por novas ameaças dos Estados Unidos à infraestrutura energética iraniana.
Nesta segunda-feira, 30, o Brent com vencimento em junho avançou 1,96%, a US$ 107,39 por barril.
Já a referência nos Estados Unidos, o WTI, com contrato para maio subiu 3,25%, encerrando a US$ 102,88 por barril, marcando o primeiro fechamento acima de US$ 100 desde julho de 2022 e renovando as máximas pela segunda sessão consecutiva.
O movimento dá sequência à forte alta observada na sexta-feira, 27, quando o WTI já havia atingido o maior nível desde julho de 2022, ao fechar a US$ 99,64 por barril, enquanto o Brent avançou a US$ 112,57.
No acumulado de março, os ganhos são expressivos. O Brent sobe cerca de 55%, o que representa um recorde histórico mensal, superando o avanço de 46% registrado em setembro de 1990, durante a Guerra do Golfo.
O WTI também acumula alta próxima de 53% no período, caminhando para o melhor desempenho mensal desde maio de 2020.
A disparada dos preços reflete o aumento do risco geopolítico, especialmente diante do bloqueio do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, e da crescente possibilidade de interrupções no fornecimento da commodity.
As tensões se intensificaram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país pode destruir poços de petróleo, usinas de energia e a ilha de Kharg, principal polo exportador do Irã, caso o estreito não seja reaberto. Em paralelo, o republicano declarou que sua opção preferida seria “tomar o petróleo” iraniano, em referência à atuação americana na Venezuela.
O cenário se agravou com o envolvimento direto dos houthis do Iêmen, que anunciaram ataques com mísseis contra alvos militares israelenses, ampliando o risco de que o conflito se espalhe por rotas estratégicas de energia.
Para analistas, esse conjunto de fatores mantém um elevado prêmio de risco nos preços do petróleo. Além do Estreito de Ormuz, cresce a preocupação com possíveis interrupções no Estreito de Bab el-Mandeb, passagem crucial que liga o Golfo de Aden ao Mar Vermelho e por onde transitam entre 4 milhões e 5 milhões de barris por dia.
Especialistas consultados pela CNBC alertam que, caso essas rotas sejam comprometidas, o impacto sobre a oferta global pode ser significativo, elevando ainda mais os preços. Há estimativas de que uma interrupção prolongada no fornecimento do Oriente Médio poderia levar o petróleo a até US$ 150 por barril já em abril.
Ao mesmo tempo, o mercado segue sensível a sinais contraditórios sobre uma possível negociação entre Estados Unidos e Irã. Enquanto a Casa Branca afirma que as conversas “estão avançando bem”, declarações públicas de Teerã indicam resistência, aumentando a volatilidade.