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Como a Cogna conseguiu destaque no clube das 'vacas leiteiras' da educação

Dividendos ganham protagonismo em setor mais maduro e desalavancado

Cogna: da reestruturação à geração consistente de caixa e dividendos (Cogna/Divulgação)

Cogna: da reestruturação à geração consistente de caixa e dividendos (Cogna/Divulgação)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 15h34.

As empresas de educação listadas na bolsa entraram oficialmente na “era das vacas leiteiras”, um período marcado pela forte geração de caixa e pela retomada da remuneração aos acionistas. Após anos digerindo expansões agressivas e fusões mal integradas, as companhias mudaram o foco para eficiência operacional, disciplina de capital (capex) e desalavancagem financeira. As conclusões são do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), que vê o ciclo sustentado por pleno emprego e renda resiliente — movimento que permitiu que empresas como a Cogna voltassem a pagar dividendos em 2025, após um hiato de cinco anos.

Para os próximos anos, as perspectivas seguem robustas. O banco projeta que o dividend yield (o que a ação paga em proventos comparando com seu preço) médio do setor suba de 2,7% em 2025 para 4,5% em 2026, alcançando 6,4% em 2027. Em um ambiente mais cético, investidores passaram a priorizar fluxo de caixa — e não lucros contábeis, frequentemente afetados por itens extraordinários. As empresas de educação com maior dividend yield para 2026 são:

  • Cruzeiro do Sul: 9,4%

  • Ser Educacional: 4,8%

  • YDUQS: 4,2%

  • Ânima: 4,0%

A Cruzeiro do Sul lidera com folga, apoiada por um dos maiores índices de payout do setor e uma estratégia conservadora de alocação de capital.

Embora não tenha o maior dividend yield projetado para 2026 (3,2%), a Cogna recebeu upgrade para “compra” do BTG e passou a ser vista pelo banco como um dos veículos mais eficientes para capturar essa nova fase do ciclo.

Os analistas destacam o avanço operacional e a forte geração de fluxo de caixa livre, com rendimento estimado de 14% em 2026. Além da eficiência de custos na Kroton, braço de ensino superar, a companhia conta com alavancas como a Vasta (educação básica) e a expansão no segmento B2G (serviços para governos). que pode alcançar R$ 1 bilhão em receitas nos próximos anos.

Cogna: da reestruturação à máquina de geração de caixa

Após uma década marcada por pressão competitiva e retração do Fies, a Cogna emergiu como um dos exemplos mais claros da era das vacas leiteiras na educação. O BTG elevou a recomendação da ação de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 5, o que implica potencial de valorização próximo de 40%.

O destaque, de acordo com o banco, não está no lucro contábil, mas na liquidez: o Fluxo de Caixa Livre ao Acionista atingiu cerca de R$ 780 milhões em 12 meses, equivalente a um yield de 20%. Para 2026 e 2027, o banco projeta rendimentos de 14% e 15%, respectivamente.

O retorno dos dividendos em 2025, segundo o banco, simboliza a virada: a alavancagem caiu de 1,8x para 1,1x dívida líquida/EBITDA desde o fim de 2023. Apesar de ruídos regulatórios pontuais, o BTG avalia que o impacto econômico é limitado.

Em síntese, o relatório reforça que o setor deixou para trás a lógica de crescimento a qualquer custo. A prioridade agora é remunerar o acionista, consolidando as empresas de educação — e a Cogna em especial — como ativos geradores de renda no curto e médio prazo.

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