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China, inflação da europa e demissões na Petrobras: o que move o mercado

O país asiático divulgou seus dados sobre a produção industrial, vendas no varejo e setor imobiliário

Radar: mercado acompanha movimentações do governo chinês sobre setor imobiliário (Divulgação / Getty Images)

Radar: mercado acompanha movimentações do governo chinês sobre setor imobiliário (Divulgação / Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 17 de maio de 2024 às 08h32.

Os mercados internacionais operam majoritariamente em tom negativo na manhã desta sexta-feira, 17. Na Europa, as bolsas abriram em queda com investidores receosos sobre o rumo da política monetária por lá. Nos Estados Unidos, os índices futuros operam próximos a estabilidade. Por aqui, o Ibovespa futuro também recua, ainda repercutindo os novos capítulos de Petrobras (PETR4). Já na Ásia, algumas bolsas fecharam em alta com os anúncios sobre os estíumulos do governo ao setor imobiliário.

De olho na China

Apesar de passos lentos, a China parece se recuperar em alguns setores. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 17, pelo National Bureau of Statistics (NBS), o setor industrial cresceu 6,7% em abril frente ao mesmo período do ano anterior. O resultado veio acima do esperado por analistas consultados pela FactSet, de avanço de 5,5%, o que pode animar investidores.

De acordo com a Bloomberg, a indústria se beneficiou de melhorias nas exportações. Entretanto, esse avanço pode ser revertido pelas crescentes tensões comerciais com Estados Unidos e Europa. Nesta semana, o governo Biden anunciou uma tarifa de 100% sobre veículos elétricos e outras exportações vindas de Pequim, em uma batalha comercial que parece estar apenas começando.

Na outra ponta, o varejo e o setor imobiliário decepcionaram. As vendas do varejo avançaram 2,3% na comparação anual de abril, aquém da projeção da FactSet, de 3,8%. Já as vendas de novas moradias na China em valor tombaram 31,1% entre janeiro e abril de 2024 ante igual período do ano passado. O resultado indica uma leve piora no mercado imobiliário chinês em relação à queda de 30,7% nas vendas observada apenas no primeiro trimestre.

Nesta sexta-feira, 17, autoridades chinesas anunciaram novos planos para fortalecer o setor imobiliário, flexibilizando as regras hipotecárias e ordenando que os governos locais comprem casas não vendidas. Os pisos das taxas de hipotecas para primeiras e segundas residências foram removidos.

O Banco do Povo da China (PBoC, o banco central do país) também reduziu a entrada mínima para quem compra a primeira casa, para 15%. Para a segunda residência, a parcela inicial caiu para 25% do valor total. Com isso, as ações do segmento na China se recuperaram, fazendo com que a bolsa de Hong Kong subisse 0,91%, enquanto a bolsa de Xangai avançou mais de 1%.

Inflação na europa

A agência de estatísticas da União Europei, a Eurostat, divulgou nesta sexta a revisão da inflação ao consumidor (CPI, pela sigla em inglês) da zona do euro. O índice ficou em 2,4% em abril, inalterado em relação à de março. O resultado veio em linha com a expectativa de analistas consultados pela FactSet. No confronto mensal, o CPI do bloco subiu 0,6% em abril, também como esperado.

Investidores, digerindo os dados da inflação, seguem na expectativa de que o Banco Central Europeu (BCE) cumpra a sinalização de que começará a reduzir juros no próximo mês. Autoridades do BCE vêm indicando que pretendem anunciar um primeiro corte de juros na reunião de junho, uma vez que a inflação parece estar se encaminhando para a meta oficial de 2% de forma sustentável. Há dúvidas, porém, sobre a trajetória dos juros por lá depois do mês que vem.

Demissões na Petrobras (PETR4)

A semana começou agitada com a demissão do presidente da Petrobras (PETR4), Jean Paul Prates, e segue repercutindo no mercado. Após seu desligamento pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a escolha de Magda Chambriard, ex-diretora geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP) no governo Dilma Rousseff, para chefiar a estatal, cerca de 30 funcionários em cargos de confiança também foram desligados, diretriz que tem sido atribuída internamente ao Ministério de Minas e Energia (MME).

Os desligamentos são uma praxe, mas chamou a atenção na estatal a velocidade com que os foram feitos, em atitude considerada inédita na empresa. Segundo informou o Estadão, a ideia seria não deixar ninguém ligado a Prates nos quadros da estatal e fazê-lo o mais rápido possível.

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