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Brasil sofre duas vezes com a alta do petróleo, diz Alexandre Silverio, CEO da Tenax Capital

Gestor avalia que conflito entre Irã e Israel ainda pode elevar o preço da commodity em 30%: "é tudo que não precisamos agora"

Alexandre Silverio, CEO da Tenax: "Alta do petróleo é tudo que não precisamos" (Leandro Fonseca/Exame)

Alexandre Silverio, CEO da Tenax: "Alta do petróleo é tudo que não precisamos" (Leandro Fonseca/Exame)

Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Repórter de Invest

Publicado em 16 de abril de 2024 às 16h42.

Última atualização em 16 de abril de 2024 às 16h47.

A primeira ofensiva direta do Irã a Israel colocou o preço do petróleo de volta ao centro das atenções dos investidores. Os mísseis foram interceptados pelo sistema de defesa israelense e não deixaram mortos. Ainda assim, o Irã afirmou que a retaliação pelo ataque israelense a uma de suas embaixadas, na Síria, está concluída. Mas o mercado teme que a escalada do conflito se estenda, podendo ter efeitos significativos sobre a geopolítica do Oriente Médio e, consequentemente, sobre a indústria do petróleo. Alexandre Silverio, fundador e CEO da Tenax Capital, afirma que o conflito ainda irá gerar "muita volatilidade nas próximas semanas".

"O ideal para o mundo seria o conflito parar por aí. Mas acho bastante improvável. Foi um ataque inédito e muito relevante para o futuro das relações na região", afirmou Silverio em participação no programa Vozes do Mercado, da Exame Invest. Para o gestor, o preço do petróleo, atualmente próximo de US$ 90, não reflete o risco de um conflito entre Israel e Irã. "Pode chegar a US$ 120, caso a guerra tenha implicações logísticas na região, especialmente sobre o canal de Ormuz, por onde passa grande parte da produção de petróleo."

Com três décadas de mercado financeiro, Silverio teve longas passagens no Santander e na AZ Quest, onde ficou por mais de 10 anos. Em 2022, montou sua própria gestora, a Tenax Capital, que já possui R$ 1,3 bilhão sob gestão. Sua filosofia de gestão é a chamada "top-down", em que o gestor parte de premissas macroeconômicas para a tomada de decisões.

O gestor avalia que, dada a conjuntura atual, a valorização do petróleo representa um risco ainda mais relevante para a economia global do que em outros tempos. "O petróleo mais alto vai gerar maior pressão inflacionária. Isso em um momento em que o banco central americano está discutindo quando começará os cortes de juros e o BC brasileiro está próximo do fim do ciclo de cortes. A alta do petróleo é tudo que não precisamos agora."

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Brasil sofre duas vezes

Silverio pontua ainda que o Brasil sofre duas vezes o efeito da alta do petróleo. Isso porque além da valorização da commodity, o país ainda sofre o efeito da desvalorização do real, devido à maior busca por proteção em dólar. Nos últimos dois dias, a moeda americana subiu cerca de 3,3% e bateu o maior patamar do ano ao ser negociada a R$ 5,29 nesta terça-feira, 16.

Parte da valorização do dólar no Brasil tem como causa a piora da percepção fiscal, mas Silverio afirma que a maior aversão ao risco internacional e, especialmente, o diferencial de juros com os Estados Unidos, tem tido efeito significativo na moeda.

Diante dos riscos inflacionários, o Federal Reserve tem postergado o início dos cortes de juros, ainda estacionados próximos do maior patamar do século. O consenso do mercado, que no início do ano era de cortes em março, agora já está para setembro. Essa também é a opinião de Silverio, que espera por apenas dois cortes de juros para este ano, enquanto projeta a redução contínua da queda da Selic no Brasil.

"O diferencial de juros está no menor patamar em décadas. Isso já está impactando o câmbio", diz o gestor. Segundo ele, o ritmo mais lento de cortes nos Estados Unidos pode ter interferência nos planos do Banco Central. Após o prenunciado corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião, Silveira acredita que o BC reduzirá a magnitude para 0,25 ponto percentual até a Selic cair para 9,5%.

Silverio acredita que os juros elevados nos Estados Unidos têm contribuído para a concentração de investimentos no mercado americano e que o início do ciclo de quedas seria necessário para a volta do investidor estrangeiro para países emergentes, como o Brasil. "Dependemos muito dos cortes de juros americanos. Até lá, o Brasil terá dificuldade para ter uma performance estelar."

Apesar do cenário desafiador, o gestor se diz confiante com a direção dos mercados. "Nesses momentos de maior incerteza é quando surgem oportunidades." Entre as principais apostas da Tenax estão os setores de energia e shoppings. Nos últimos meses, a gestora também tem aumentado as posições em exportadoras. O gestor, no entanto, prefere ficar de fora da Petrobras, dadas as incertezas sobre a política de preços. "Já era para a companhia ter reajustado o preço do combustível."

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