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Bank of America (BOAC34) prevê recessão nos Estados Unidos este ano

Segundo os analistas do Bank of America, o aspecto mais preocupante é a desaceleração dos gastos com serviços por parte dos americanos
Sede do Bank of America (BOAC34) (FABRICE COFFRINI/Getty Images)
Sede do Bank of America (BOAC34) (FABRICE COFFRINI/Getty Images)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 16/07/2022 às 08:00.

Última atualização em 16/07/2022 às 08:32.

Os economistas do Bank of America (BOAC34) esperam que os Estados Unidos enfrentarão uma recessão moderada este ano.

Segundo os analistas do Bank of America, o aspecto mais preocupante é a desaceleração dos gastos com serviços por parte dos americanos.

O relatório divulgado pelo banco esta semana indica como a economia americana, mesmo mantendo um crescimento positivo este ano, enfrentará uma desaceleração do ímpeto econômico maior do que o previsto.

O relatório do Bank of America foi uma surpresa para o mercado, pois os analistas do banco foram uma rara fonte de otimismo sobre o cenário econômico americano e mundial.

O banco mudou de tom após o Departamento do Trabalho dos EUA divulgar os dados sobre a inflação, que teve uma alta anualizada de 9,1%. O maior aumento das últimas quatro décadas.

Para tentar conter esta alta dos preços, o Federal Reserve (Fed) já elevou as taxas de juros de 0,75 ponto percentual no mês passado, o maior aumento desde a década de 1990.

E é essa política monetária restritiva que, segundo os analistas, levaria para uma recessão a partir do segundo semestre de 2022.

“Várias forças coincidiram para desacelerar o ímpeto econômico mais rapidamente do que esperávamos”, aparece no relatório do banco, “Agora prevemos uma recessão leve este ano”.

Para o Bank of America, o Produto Interno Bruto (PIB) real dos Estados Unidos deverá cair 1,4% no quarto trimestre do ano.

Somente em 2023 a economia americana terá um aumento real do PIB de 1%.

“Com grande parte do recente aumento da inflação vindo dos preços de alimentos e energia, commodities que enfrentam uma demanda relativamente inelástica no curto prazo, as famílias podem ter menos disponibilidade para compras discricionárias”, explicou o Bank of America no relatório.

Bank of America prevê recessão e alta do desemprego

Segundo os analistas do banco, a combinação da queda do PIB este ano e do crescimento abaixo da tendência para grande parte do próximo ano deve elevar a taxa de desemprego de 3,6% para 4,6%.

Entretanto, o relatório indica como a desaceleração econômica mais significativa e a taxa de desemprego mais alta também deverão melhorar o cenário de inflação mais rapidamente do que o esperado.

Os economistas estão prevendo que o Fed eleve as taxas de juros em outros 0,75 pontos percentuais neste mês, indicando uma faixa de juros entre 3,25 e 3,5% até o final do ano.

Essa alta repentina dos juros chega após quase dois anos de taxas próximas do zero. Uma política monetária expansionista decidida pelo Fed para fazer frente aos efeitos econômicos adversos provocados pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

A volta para os juros positivos gerou preocupações entre os analistas sobre a capacidade do Fed de realizar um “aterrissagem suave”, contrastando a inflação sem reduzir de forma excessiva o crescimento econômico.

“Nossa perspectiva revisada sugere que o Fed realmente terá que aceitar mais dor do que deseja”, indicou o Bank of America no relatório, “Mas se nossa perspectiva for correta, achamos que é um preço que a maioria dos participantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) estaria disposto a pagar.”