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As novas incertezas do Fed de olho no payroll dos EUA

Investidores aguardam com ansiedade o relatório de empregos dos EUA, que pode influenciar diretamente a política monetária do Federal Reserve

Payroll: relatório de empregos é divulgado hoje (Drazen_/Getty Images)

Payroll: relatório de empregos é divulgado hoje (Drazen_/Getty Images)

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 06h52.

O relatório de empregos (payroll) dos Estados Unidos é divulgado nesta quarta-feira, 11, às 10h30 no horário de Brasília, sob expectativas fortes de investidores no mundo todo. A expectativa do mercado é de que tenham sido criados 55 mil empregos em janeiro, uma alta leve em relação aos 50 mil registrados em dezembro. A taxa de desemprego, por sua vez, deve ficar estável a 4,4%.

O payroll importa para o mercado porque pode afetar a decisão do Federal Reserve (Fed) sobre os juros. Se a criação de empregos for inferior ao esperado, especulações sobre uma desaceleração econômica podem aumentar, pressionando o Fed a adotar uma postura mais cautelosa.

O relatório também virá acompanhado de revisões anuais significativas, que podem alterar a visão do mercado sobre a saúde do mercado de trabalho. O Bureau of Labor Statistics (BLS) já anunciou revisões para meses anteriores, que indicam uma criação de empregos mais fraca do que inicialmente reportada.

Em setembro, o BLS estimou preliminarmente que, nos 12 meses até março de 2025, houve 911 mil empregos a menos do que o inicialmente divulgado. O Goldman Sachs estima revisão final entre 750 mil e 900 mil vagas a menos. Já o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou recentemente que o número pode ficar mais próximo de 600 mil.

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Cada mês de 2025 até agora registrou revisões negativas, reduzindo os dados iniciais em 624 mil vagas no total, segundo a CNBC. A média mensal caiu para menos de 40 mil postos.

Projeções divergentes entre economistas

Mas as estimativas para janeiro não são unânimes.

Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics, afirmou que sua projeção é próxima de zero. “Qualquer valor próximo de zero mostra como as coisas estão frágeis”, disse em entrevista à CNBC. Para ele, há risco de perdas líquidas de emprego em breve.

O Goldman Sachs projeta 45 mil vagas. Já o Citigroup estima 135 mil, mas atribui o número a distorções sazonais e afirma que o crescimento ajustado estaria “mais próximo de zero”.

Levantamento da Bloomberg aponta mediana de 68 mil vagas, com estimativas variando de perda de 10 mil a ganho de 135 mil postos. A taxa de desemprego também é projetada em 4,4%.

Outros indicadores reforçam o quadro de desaceleração. As vagas em aberto caíram em dezembro ao menor nível desde setembro de 2020, segundo o BLS.

Casa Branca e Fed pedem cautela

O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que números menores podem refletir menor crescimento populacional e avanço da produtividade impulsionada por inteligência artificial.

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Segundo Hassett, pode haver cenário em que “a criação de empregos atrase, a produtividade dispare, os lucros disparem, o Produto Interno Bruto (PIB) dispare”.

Powell afirmou que o mercado de trabalho está “gradualmente esfriando”, não em colapso. Presidentes regionais do Fed, como Lorie Logan e Beth Hammack, disseram que veem mais risco na inflação do que no desemprego e defenderam paciência antes de novos cortes de juros.

O relatório foi adiado em cinco dias devido a uma paralisação parcial do governo federal.

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