Mercados

Após longa espera, momento do IPO do Uber está longe do ideal

No ano passado, banqueiros que disputavam a coordenação do IPO disseram ao Uber que seu valuation poderia alcançar até US$ 120 bilhões em uma oferta inicial

Uber: expectativa ainda seja de que será a maior abertura de capital no melhor ano para IPOs do setor de tecnologia desde 2014 (Tyrone Siu/Reuters)

Uber: expectativa ainda seja de que será a maior abertura de capital no melhor ano para IPOs do setor de tecnologia desde 2014 (Tyrone Siu/Reuters)

Karla Mamona

Karla Mamona

Publicado em 9 de maio de 2019 às 17h03.

(Bloomberg) -- Quando uma empresa espera uma década para abrir o capital, é natural desejar as melhores condições possíveis para fazer um IPO. Nesse sentido, 2019 não tem sido fácil para o Uber.

Depois de uma década tumultua como empresa privada, a startup mais valiosa dos Estados Unidos está finalmente pronta para fazer sua estreia no mercado. O Uber Technologies, gigante do segmento de aplicativo de transporte, espera a precificação das ações em sua tão esperada oferta pública inicial após o fechamento do mercado na quinta-feira. Embora a expectativa ainda seja de que será a maior abertura de capital no melhor ano para IPOs do setor de tecnologia desde 2014, é improvável que as ações subam para o nível esperado inicialmente.

O Uber captou recursos pela última vez em agosto com a Toyota Motor, com um valuation de cerca de US$ 76 bilhões. A empresa, que tem sede em São Francisco, agora avalia precificar as ações no ponto médio da faixa ou ligeiramente abaixo, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto. Com isso, o Uber pode estrear com valor de mercado um pouco acima do preço em sua mais recente rodada de financiamento, de US$ 79 bilhões.

No ano passado, banqueiros que disputavam a coordenação do IPO disseram ao Uber que seu valuation poderia alcançar até US$ 120 bilhões em uma oferta inicial.

O ano começou turbulento, com o fechamento parcial da administração dos EUA, mas, desde o fim de março, o ritmo de IPOs se acelerou com Lyft, Pinterest e Tradeweb Markets tendo captado mais de US$ 1 bilhão cada. Os mercados, no entanto, não parecem compartilhar a mesma euforia, diante do aumento das tensões comerciais entre EUA e China.

"Estão olhando para o mercado, bem como para o que aconteceu com a Lyft", disse Dan Ives, analista da Wedbush Securities. A maior concorrente do Uber divulgou um prejuízo elevado em seu primeiro balanço trimestral como empresa pública. Na quarta-feira, a ação da empresa fechou 26% abaixo do preço do IPO, de US$ 72, avaliando a Lyft em apenas US$ 15,1 bilhões - exatamente o valuation obtido em sua última rodada de financiamento privado em 2018.

Arun Sundararajan, professor da Escola de Negócios da Universidade de Nova York, disse que, embora o IPO reforce o capital do Uber para aumentar sua participação no segmento de transportes, também pode pressionar a empresa a colocar as metas trimestrais à frente de suas ambições.

"O valuation de um trilhão de dólares virá se a empresa puder passar os próximos cinco a dez anos alcançando aquele nível onde o Uber é mais usado do que qualquer outra forma de transporte", disse Sundararajan. "O problema é que isso vai exigir manter os investidores calmos, diante da pressão sobre o Uber para dar lucro."

"A liberdade de jogar no longo prazo é significativamente reduzida quando a empresa abre o capital, mesmo quando os recursos para isso são aumentados", disse.

Como muitas empresas que fizeram IPOs em 2019, o Uber ainda dá muito prejuízo. A empresa teve perdas operacionais de US$ 3,04 bilhões no ano passado e receita de US$ 11,3 bilhões, elevando as perdas operacionais totais nos últimos três anos para mais de US$ 10 bilhões, segundo informações do prospecto.

Acompanhe tudo sobre:Mercado financeiroUberIPOs

Mais de Mercados

BlackRock vê Brasil como destaque na renda fixa: 'retorno e risco atraentes'

BlackRock fica neutra em emergentes, mas reforça aposta em ações no Brasil

Como ações de empresas patrocinadoras da Copa estão se saindo no Mundial

Desaceleração do emprego nos EUA não garante que Fed não subirá juros, dizem analistas