Netflix: disposta a pagar US$ 82,7 bilhões para absorver a Warner Bros. (Imagem gerada por IA/Freepik)
Repórter de Invest
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 08h00.
O cenário para as ações da Netflix não está para pipoca e diversão. Ao menos é esse o alerta de alguns analistas. Apesar dos papéis da gigante do streaming enfrentarem uma queda de 28%, o preço atual, de US$ 88,89, ainda está caro e pode afastar investidores, em meio ao receio de um “negócio ruim” na compra da Warner Bros., no valor de US$ 82,7 bilhões, disseram fontes do mercado à Bloomberg.
A Netflix é negociada a cerca de 28 vezes o lucro esperado para o próximo ano. Isso coloca a empresa em um patamar de preço muito superior ao de rivais de peso, como Disney, Amazon e a Alphabet, que é a dona do YouTube.
Ao olhar pelo histórico de valorização dos papéis, com um múltiplo médio das ações de 34 vezes o lucro, o preço atual até parecer “barato”. No entanto, no comparativo, a Paramount Skydance Corp., detentora da Paramount+, que também está de olho na Warner, opera com um múltiplo bem mais modesto, abaixo de 13 vezes o lucro.
A Netflix teria, também, que encarar a legislação americana antitruste, o que faz existir uma chance real de a venda da Warner Bros. ser barrada pelo congresso e pelo judiciário dos Estados Unidos (EUA), tendo em vista que a fusão pode controlar mais de 30% do mercado de streaming pago, o que gerou críticas de associações.
Além disso, a grande dúvida que paira sobre Wall Street é o plano de gastar US$ 82,7 bilhões para absorver a Warner Bros. Aumenta-se o clima de incerteza perante a falta de boas experiências da Netflix em grandes fusões, além da dívida da Warner ser alta e os riscos de integração serem reais.
“A Netflix não é uma compra imperdível nos níveis de preço atuais”, de acordo com o consultor financeiro em gestão de patrimônio privado da Synovus Securities, Christopher Brown, entrevistado pela Bloomberg.
Recentemente, a casa de análise independente CFRA rebaixou a recomendação das ações da Netflix para “neutra”, com dúvidas sobre os próximos passos. O analista Kenneth Leon disse, em relatório, que a empresa passou décadas longe de grandes aquisições, o que torna o movimento atual uma mudança brusca de rota.
O diretor-administrativo de negociação de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações (TMT) da Wedbush Securities, Joel Kulina, vê uma série de razões para considerar o investimento sem retorno, conforme divulgado pela agência de notícias.
“Antes dos rumores sobre o negócio, havia interesse devido à qualidade dos ativos da Netflix, mas agora há ‘muita coisa’ nessa história. E os investidores de tecnologia não têm demonstrado muita paciência com histórias que demonstram qualquer tipo de incerteza, como comprovam o fraco desempenho da Amazon e da Microsoft”, diz Kulina.
“Mesmo antes do acordo com a Warner Bros., a narrativa era bastante desanimadora. A falta de uma projeção explícita para 2026 tem sido um peso para as ações desde o último balanço”, acrescenta o diretor-administrativo de negociação de TMT da Wedbush Securities à Bloomberg.
Todavia, o horizonte não é só de pessimismo. A Bloomberg informa que, se a Netflix conseguir entregar resultados sólidos no quarto trimestre, no dia 20, pode haver um respiro para o preço dos papéis, com uma recuperação de curto prazo de 13% a 21%, caso as metas de lucro — US$ 0,56 por ação — e receita — US$ 12 bilhões — sejam alcançadas.
Por enquanto, o mercado observa de longe, esperando para ver se a gigante do streaming vai conseguir equilibrar suas ambições de expansão com a realidade do bolso dos investidores.