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Blinken, dos Estados Unidos, adverte novo governo de Israel contra novos assentamentos

A expectativa é de que Benjamin Netanyahu, ex-primeiro ministro do país, retorne ao poder depois de fechar um acordo de coalizão com movimentos de extrema direita

Antony Blinken, secretário de Estado americano: vamos avaliar o governo pelas políticas que executa, e não por seus membros (TOM BRENNER / POOL/AFP)

Antony Blinken, secretário de Estado americano: vamos avaliar o governo pelas políticas que executa, e não por seus membros (TOM BRENNER / POOL/AFP)

A
AFP

4 de dezembro de 2022, 17h16

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse neste domingo (4) que Washington irá se opor aos assentamentos israelenses, ou à anexação da Cisjordânia.

Prometeu, no entanto, que julgará o novo governo de Benjamin Netanyahu por suas ações, e não pelo perfil de extrema direita de alguns de seus membros.

Espera-se que Netanyahu retorne ao poder depois de fechar um acordo de coalizão com movimentos de extrema direita. Entre eles está o Sionismo Religioso, que receberá um cargo responsável por assentamentos na Cisjordânia ocupada.

Em conversa com o J Street, um grupo progressista pró-Israel nos Estados Unidos, Blinken parabenizou o líder israelense. Netanyahu entrou em conflito com administrações democratas anteriores em Washington.

"Vamos avaliar o governo pelas políticas que executa, e não por seus membros", frisou Blinken.

Criação de um estado palestino

Ainda assim, antecipou que o governo do presidente Joe Biden trabalhará "incansavelmente" para preservar um "horizonte de esperança" para a criação de um Estado palestino.

"Também continuaremos a nos opor, inequivocamente, a qualquer ato que mine as perspectivas de uma solução de dois Estados", assim como "à expansão dos assentamentos, aos movimentos em direção à anexação da Cisjordânia, à alteração do 'status quo' histórico dos lugares sagrados, às demolições e aos despejos e à incitação à violência", declarou Blinken.

Blinken disse ainda que a Casa Branca insistirá nos "princípios democráticos fundamentais, incluindo o respeito pelos direitos das pessoas LGBTQ e a administração da justiça igualitária para todos os cidadãos de Israel".

A coalizão governamental incluirá grupos de extrema direita como Noam, cujo líder, Avi Maoz, opõe-se fortemente aos direitos LGBTQI+.

Netanyahu se apressou em dizer que a Parada do Orgulho Gay de Jerusalém continuará, contradizendo Maoz, que havia prometido seu cancelamento.

O líder do Sionismo Religioso, Itamar Ben-Gvir, que deve desempenhar um papel-chave no Executivo, é um forte defensor dos assentamentos judaicos. O político costumava pendurar em sua sala um retrato de Baruch Goldstein, que matou 29 palestinos em uma mesquita de Hebron, em 1994.

A eleição de 1º de novembro foi a quinta em menos de quatro anos e ocorreu após o colapso de uma coalizão diversificada que tentou manter Netanyahu de fora.

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