Inteligência Artificial

Patrocinado por:

logo-totvs-preto

YouTube pode estar "acostumando" os usuários para aceitarem conteúdo gerado por IA

Criadores relatam que seus conteúdos estão sendo alterados automaticamente por filtros de imagem; Google admite experimento, mas nega uso de IA generativa

Originalmente focado em conectar pessoas e compartilhar experiências pessoais, o YouTube agora parece priorizar um consumo mais impessoal e algorítmico (Sean Gallup/Getty Images)

Originalmente focado em conectar pessoas e compartilhar experiências pessoais, o YouTube agora parece priorizar um consumo mais impessoal e algorítmico (Sean Gallup/Getty Images)

Publicado em 29 de agosto de 2025 às 09h58.

Priorizar nos meus resultados Google

Nas últimas semanas, algo incomum tem acontecido no YouTube. Alguns vídeos, após serem carregados, passaram a exibir mudanças sutis em sua aparência, sem que os criadores tivessem realizado qualquer alteração.

Espectadores notaram "sombras mais intensas", "bordas estranhamente nítidas" e uma textura suavizada, dando aos vídeos uma aparência "plástica". Muitos usuários concluíram que o YouTube está utilizando inteligência artificial para modificar o conteúdo de forma não solicitada e sem o conhecimento dos criadores.

Um artista multimídia conhecido como Mr. Bravo, cuja estética remete aos anos 80, escreveu no Reddit que seus vídeos ficaram "completamente diferentes" após o upload. "Uma grande parte do charme dos vídeos está na estética granulada e desgastada", comentou, expressando frustração com o filtro do YouTube, que obscurece seu árduo trabalho de reproduzir o material em um videocassete para conseguir a estética desejada.

Outro YouTuber, Rhett Shull, postou um vídeo sobre o que está acontecendo com seu material e o de seu amigo Rick Beato, ambos com canais de música populares, que somam mais de 700.000 e 5 milhões de inscritos, respectivamente.

Shull acredita que o YouTube está aplicando o processo de "upscaling AI", que aumenta a resolução e os detalhes das imagens usando tecnologia de inteligência artificial. Ele se preocupa com as implicações disso para a confiança do seu público: "Isso vai fazer as pessoas pensarem que estou usando IA para criar meus vídeos ou que estão sendo deepfakes", disse.

Em resposta ao The Atlantic, o Google, dono do YouTube, afirmou que está realizando um "experimento" com vídeos curtos (os Shorts), utilizando tecnologia de aprimoramento de imagem para "refinar o conteúdo", mas sem recorrer à IA generativa, segundo a empresa.

No entanto, a definição de "IA generativa" é vaga. A tecnologia de "aprimoramento de imagem" pode abranger diversas ferramentas, inclusive a IA. A porta-voz Allison Toh explicou que a empresa utiliza "aprendizado de máquina tradicional para melhorar a clareza e remover ruídos" dos vídeos.

Esse tipo de tecnologia utilizado pelo YouTube é similar ao processo de difusão empregado por IA para criar ou melhorar vídeos, o que explica as semelhanças visuais nas modificações.

No entanto, esse uso pela própria plataforma gera preocupações para os criadores, já que o mesmo conteúdo pode ser obra de alguém que passou horas trabalhando e gastando energia ou de quem apenas usa IA para gerar lucro rapidamente. Para os criadores que desejam se diferenciar, o YouTube parece dificultar essa distinção.

Nova estética?

Além desse experimento, o YouTube tem incentivado a geração de vídeos com IA, oferecendo novas ferramentas para animar fotos estáticas e adicionar efeitos. Muitos suspeitam que o objetivo seja criar uma estética uniforme na plataforma. Isso levanta um questionamento: o YouTube estaria treinando seus usuários para aceitarem o visual gerado por IA como algo normal?

Não é apenas o YouTube que está implementando conteúdo gerado por IA. A Meta também promove a criação de chatbots de IA no Facebook e no Instagram, enquanto o Snapchat permite gerar imagens novas a partir de selfies. No ano passado, o TikTok introduziu ferramentas para criar vídeos de forma automatizada.

Essa mudança reflete uma transformação na própria ideia de redes sociais. Originalmente focado em conectar pessoas e compartilhar experiências pessoais, o YouTube agora parece priorizar um consumo mais impessoal e algorítmico, mesmo enquanto combate os dark channels, que reciclam conteúdo alheio para lucrar com a monetização.

Acompanhe tudo sobre:Inteligência artificialYouTubeGoogle

Mais de Inteligência Artificial

Nem toda tarefa precisa da IA mais potente; entenda como empresas estão mudando essa lógica

Por que a Databricks adia o IPO mesmo após atingir valuation de US$ 190 bilhões?

Databricks quer 'maximizar valor', não tokens, diz country manager no Brasil

Inferência em IA: por que a tecnologia pode enfrentar um novo gargalo nos próximos anos