Redação Exame
Publicado em 13 de abril de 2026 às 16h52.
A Verne, empresa croata fundada por Mate Rimac, anunciou uma mudança estratégica em seus planos para lançar um serviço de robotáxis ainda este ano em Zagreb, capital da Croácia.
Diferentemente do projeto original, que previa veículos próprios e tecnologia israelense, a companhia decidiu adotar software de direção autônoma da chinesa Pony.AI e utilizar como base o modelo Arcfox Alpha T5, além de integrar o serviço à plataforma da Uber.
A decisão reposiciona a Verne dentro de um cenário global em que o avanço da inteligência artificial aplicada à mobilidade tem sido liderado por empresas que já operam sistemas em escala.
Ao incorporar uma tecnologia já testada em outros mercados, a empresa busca reduzir o tempo entre desenvolvimento e operação, um movimento que reflete uma tendência crescente no setor. As informações foram retiradas da Forbes.
O plano inicial da Verne envolvia o desenvolvimento de um robotáxi próprio, de dois lugares, sem volante e com foco em conforto, utilizando tecnologia da Mobileye, subsidiária da Intel. O projeto representava uma abordagem mais independente e centrada em engenharia proprietária.
A mudança para a Pony.AI, no entanto, indica uma inflexão relevante: em vez de desenvolver integralmente sua solução, a Verne passa a integrar um ecossistema já em operação. A empresa chinesa acumula implementações de robotáxis em cidades da China e planos de expansão para regiões como Oriente Médio e Sudeste Asiático.
Esse movimento ocorre em um momento em que a corrida pela autonomia veicular depende menos de protótipos e mais de dados, testes em ambiente real e capacidade de escalar sistemas com segurança, fatores diretamente ligados ao uso intensivo de inteligência artificial.
A nova configuração do projeto reúne três frentes internacionais: a Pony.AI com o sistema de direção autônoma, a montadora chinesa responsável pelo Arcfox Alpha T5 e a Uber, que deve integrar o serviço à sua plataforma e também investir na Verne.
Nesse modelo, a startup croata assume um papel estratégico voltado à operação local, incluindo logística, regulamentação e desenvolvimento de seu próprio aplicativo. A integração com plataformas já consolidadas de mobilidade amplia o alcance do serviço e reduz barreiras de entrada.
A iniciativa também acompanha um movimento observado em outras empresas do setor, como a Waymo, que já disponibiliza seus veículos tanto em aplicativos próprios quanto em plataformas de terceiros.
A decisão da Verne também ocorre sob pressão de prazos. A empresa recebeu € 180 milhões em subsídios da União Europeia para desenvolver seu projeto de robotáxi, com a exigência de apresentar resultados dentro de um cronograma específico.
Havia um prazo até o fim de março para demonstrar avanços concretos, sob risco de devolução parcial dos recursos. A adoção de uma solução já desenvolvida pode ter sido determinante para cumprir essas exigências e viabilizar o início das operações.
Apesar da mudança, a empresa afirma que o desenvolvimento do veículo próprio continua e deve se consolidar como plataforma de longo prazo, indicando uma estratégia híbrida entre curto e longo prazo.
A escolha por um sistema de direção autônoma já validado reforça o papel da inteligência artificial como elemento central na disputa por espaço no setor de mobilidade.
Mais do que desenvolver veículos, empresas passam a competir pela capacidade de treinar algoritmos, interpretar dados em tempo real e garantir segurança operacional.
Nesse contexto, profissionais que dominam conceitos de IA, análise de dados e integração de sistemas ganham relevância em diferentes áreas, da engenharia ao planejamento estratégico.
A movimentação da Verne evidencia como decisões tecnológicas podem redefinir estratégias de negócio e acelerar a entrada em mercados competitivos. Em um cenário global, a capacidade de adaptação e escolha de parceiros tecnológicos passa a ser tão determinante quanto a inovação interna.