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Trump é impopular e encontro não deve gerar votos para Flávio, diz fundador do Ideia

Para Maurício Moura, fundador do instituto Ideia, a associação com o presidente americano tem baixo potencial de ampliar votos no Brasil e pode até gerar rejeição fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo

Flávio: O senador se reuniu com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio

Flávio: O senador se reuniu com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio

Publicado em 2 de junho de 2026 às 06h00.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou transformar em capital político a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

Após encontro com o presidente americano Donald Trump na Casa Branca, o parlamentar afirmou que a medida representa uma vitória de sua agenda de segurança pública e passou a apresentá-la como credencial para a disputa presidencial de 2026.

A estratégia, porém, pode encontrar limites na percepção dos brasileiros sobre Trump, avalia Maurício Moura, fundador do instituto Ideia.

Segundo ele, a associação com o presidente americano tem baixo potencial de ampliar votos no Brasil e pode até gerar rejeição fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo.

“No Brasil, o Trump é visto como uma figura bastante impopular e, pelo que temos de dados de opinião pública no Brasil, a associação do Bolsonaro com o Trump não traz muitos votos, muito pelo contrário”, afirmou, em entrevista à EXAME.

Moura, que foi observador da eleição colombiana, onde um candidato antissistema avançou ao segundo turno, disse que no país vizinho, diferentemente do Brasil, a influência de Trump foi importante, principalmente quando ligada ao tema de educação.

"Na Colômbia, tem uma polarização imensa sobre o tema Trump, e essa polarização é refletida nos votos. No Brasil, não", disse.

Para Moura, entretanto, o eventual ganho político da aproximação com Trump tende a ficar restrito ao eleitorado já alinhado ao bolsonarismo. “E não é só no Brasil: o Trump é mal avaliado ou tem uma alta impopularidade em diversos países”, afirmou.

A imagem de Trump no Brasil

A avaliação ocorre após Flávio atribuir à sua agenda em Washington a decisão anunciada pelo Departamento de Estado americano.

O senador se reuniu com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, e afirmou ter solicitado pessoalmente que PCC e Comando Vermelho fossem enquadrados como organizações terroristas.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio afirmou que sua viagem foi mais efetiva no combate ao crime organizado do que os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para o fundador do Ideia, no entanto, a imagem de Trump enfrenta resistência significativa entre os brasileiros, o que reduz a possibilidade de transferência de popularidade para aliados políticos.

O especialista também relaciona essa percepção a medidas recentes adotadas pelo governo americano e à forma como parte da opinião pública brasileira interpreta a política externa dos Estados Unidos.

“A questão das tarifas afetou os brasileiros. Os brasileiros perceberam isso como uma intervenção. E também, diversas questões que o Trump coloca, de os Estados Unidos em primeiro lugar, obviamente não são percebidas pela opinião pública brasileira de uma maneira favorável”, disse.

Na quinta-feira, 28, o Departamento de Estado anunciou a designação do PCC e do Comando Vermelho como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e informou que pretende enquadrar os grupos também como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). A classificação entra em vigor nesta sexta, 5.

Segundo o governo americano, as duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e mantêm redes que ultrapassam as fronteiras do país.

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