Inteligência Artificial

Rival do Duolingo, criado na Ucrânia, recebe US$ 70 milhões para desenvolver inteligência artificial

A plataforma de aprendizado de idiomas Preply foi aportada pelos fundos Horizon Capital, Reach Capita e Hoxton Ventures

Cofundadores da Preply: Serge Lukyanov (chefe de design), Dmytro Voloshyn (CTO) e Kirill Bigai (CEO) (Preply/Reprodução)

Cofundadores da Preply: Serge Lukyanov (chefe de design), Dmytro Voloshyn (CTO) e Kirill Bigai (CEO) (Preply/Reprodução)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 19 de julho de 2023 às 10h06.

Última atualização em 19 de julho de 2023 às 11h40.

A Preply, uma plataforma que conecta alunos a professores para o aprendizado de idiomas, anunciou uma captação de US$ 70 milhões para acelerar a incorporação de inteligência artificial (IA) em suas operações, conforme reportado pela CNBC.

Com origens na Ucrânia e sede nos Estados Unidos, a Preply obteve os recursos ao emitir novas ações e dívidas. Horizon Capital liderou a parcela de equity no aporte. A firma de venture capital tem foco em investir em empreendedores emergentes, especialmente os ucranianos no momento em que o país passa por uma guerra.

Além disso, Reach Capital, Hoxton Ventures e outros também deram suporte.

Este investimento complementa uma rodada de financiamento Série C de US$ 50 milhões que a Preply captou no ano passado, elevando o total arrecadado para mais de US$ 170 milhões.

Como funciona o app

No modelo de negócios da Preply, as pessoas são conectadas a tutores humanos para aprender novos idiomas. Cada professor possui um perfil visível aos aprendizes e estabelece uma tarifa horária para as aulas, da qual a Preply retém uma porcentagem.

Grandes corporações como Datadog, GroupM e Bain também utilizam a plataforma para aperfeiçoar as habilidades em idiomas estrangeiros de suas equipes. Embora a Preply ainda não seja lucrativa, suas receitas cresceram dez vezes nos últimos três anos.

A empresa planeja usar os fundos recém-adquiridos para "estender a liderança na categoria [de aprendizado de idiomas online] por meio de tutores humanos potencializados por IA, proporcionando uma experiência de aprendizado que está se tornando decisiva", afirmou o CEO e co-fundador Kirill Bigai.

A captação de recursos ocorre em meio a condições mais restritas de arrecadação de fundos para startups, que enfrentam desafios para obter recursos tão facilmente quanto nos anos de boom tecnológico de 2020 e 2021, impulsionados pelos lockdowns da covid-19.

A inteligência artificial se destaca neste contexto, impulsionada pela popularidade de ferramentas como o ChatGPT da OpenAI. Startups deste setor têm captado somas significativas de capital à medida que os investidores buscam as empresas que se beneficiarão da crescente demanda por ferramentas de IA.

Empresa já usa IA

A Preply atualmente aplica machine learning para melhorar a combinação entre alunos e tutores. O passa seguinte será o lançamento de um assistente de IA para auxiliar os tutores a elaborar exercícios, explicações de gramática e tópicos para iniciar conversas.

Isso coincide com movimentos semelhantes de concorrentes como a Duolingo, que incorporou o software de processamento de linguagem GPT da OpenAI para melhorar a personalização de seu aplicativo. Outros concorrentes da Preply incluem Babbel e Busuu.

O investimento também reflete o interesse contínuo dos investidores de tecnologia na Ucrânia, país que vem sendo atingido pela Rússia desde o início da invasão no ano passado. A Horizon Capital levantou US$ 125 milhões para um fundo de startup destinado a apoiar fundadores ucranianos.

Fundadores de "unicórnios" avaliados em bilhões de dólares, como Max Lytvyn e Alex Shevchenko da Grammarly, e Dmitriy Zaporozhets da GitLab, são originários da Ucrânia. Google, Samsung e Amazon também possuem centros de pesquisa e desenvolvimento no país.

Acompanhe tudo sobre:Inteligência artificial

Mais de Inteligência Artificial

Saída do ChatGPT da China pode acelerar competição entre gigantes locais

Quando a IA se torna ferramenta de vigilância política

Namorada gerada por IA? Aplicativo quer acabar com a 'crise de solidão' no Japão

Cerca de 80% das empresas no Brasil investiram ou vão investir em IA nos próximos 12 meses

Mais na Exame