Inteligência Artificial

OpenAI testa domínio da Nvidia ao buscar novos chips de IA

Insatisfação com desempenho em inferência expõe novo ponto de tensão no centro da alta da IA, diz Reuters

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 05h24.

A OpenAI iniciou, ao longo do último ano, um movimento para reduzir sua dependência dos chips da Nvidia em parte de sua infraestrutura de inteligência artificial. A estratégia, segundo a Reuters, reflete uma mudança de prioridades tecnológicas e pode alterar a relação entre duas das empresas mais centrais do atual ciclo de expansão da IA.

O ajuste ocorre em meio à crescente relevância da inferência, etapa em que modelos já treinados processam pedidos e geram respostas em tempo real. Embora a Nvidia continue líder absoluta em chips voltados ao treinamento de grandes modelos, a inferência passou a exigir soluções mais especializadas, com impacto direto na experiência do usuário.

Velocidade de resposta vira gargalo estratégico

Fontes próximas à OpenAI afirmaram à Reuters que parte do descontentamento está ligada ao desempenho de hardware em tarefas que exigem respostas rápidas, como programação e integração entre sistemas de software. Para esses usos, a latência se tornou um fator crítico.

A empresa avalia a adoção de novos tipos de chips capazes de suprir uma fração relevante de suas necessidades futuras de inferência. O objetivo não é substituir completamente a Nvidia, mas complementar a infraestrutura com soluções mais eficientes para demandas específicas.

Negociações bilionárias seguem em compasso de espera

A mudança de rumo coincidiu com negociações prolongadas entre OpenAI e Nvidia sobre um possível investimento de grande porte da fabricante de chips na criadora do ChatGPT. O acordo, que envolveria recursos suficientes para financiar a compra de hardware avançado, não avançou no ritmo inicialmente esperado.

Durante esse período, a OpenAI ampliou conversas com outros fornecedores, incluindo a AMD, e ajustou seu planejamento tecnológico, o que contribuiu para atrasos nas tratativas. Publicamente, as duas empresas mantêm um discurso de cooperação e reforçam que a parceria segue relevante.

Arquiteturas alternativas ganham espaço

A busca por alternativas levou a OpenAI a avaliar chips com grandes volumes de memória integrada ao processador, arquitetura considerada mais adequada para inferência em larga escala. Esse tipo de design reduz o tempo de acesso a dados e pode acelerar a geração de respostas em aplicações com milhões de usuários simultâneos.

Nesse contexto, surgiram negociações com startups especializadas em novos modelos de semicondutores. Um acordo comercial recente com a Cerebras faz parte dessa estratégia. Já tratativas com a Groq não avançaram após a Nvidia fechar um contrato para licenciar sua tecnologia, reforçando sua presença nesse segmento emergente.

Mercado de IA entra em nova fase competitiva

O movimento da OpenAI sinaliza uma inflexão no mercado de chips para inteligência artificial. A fase inicial do boom foi dominada pelo treinamento de modelos cada vez maiores; agora, o foco se desloca para eficiência, custo e velocidade no uso cotidiano dessas ferramentas.

Concorrentes como Google e Anthropic já apostam em chips desenvolvidos internamente, desenhados para inferência. Para investidores, a diversificação de fornecedores pela OpenAI indica que o próximo ciclo de crescimento da IA pode redistribuir valor no setor de semicondutores e reduzir a concentração em um único player.

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