Inteligência Artificial

OpenAI articula captação de US$ 100 bilhões em meio à disputa no mercado de IA

Dona do ChatGPT negocia mega rodada enquanto transforma capital em infraestrutura de IA

Sam Altman: CEO da OpenAI manda no jogo de parcerias  (Jovelle Tamayo/forThe Washington Post/Getty Images)

Sam Altman: CEO da OpenAI manda no jogo de parcerias (Jovelle Tamayo/forThe Washington Post/Getty Images)

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 08h25.

A OpenAI está no centro de uma rodada de investimento que pode chegar a US$ 100 bilhões — uma das maiores já discutidas no setor de tecnologia.

Mas, no caso da dona do ChatGPT, o dinheiro não entra apenas para ficar em caixa: ele circula, volta para parceiros e sustenta um modelo de crescimento pouco convencional, baseado em computação, chips e contratos de longo prazo.

Enquanto negocia a captação, a empresa tenta provar aos investidores que segue ganhando tração, mesmo sob pressão crescente de rivais como a Anthropic.

Rodada bilionária e a narrativa para investidores

O CEO Sam Altman e a CFO Sarah Friar vêm apresentando a investidores a tese de crescimento da OpenAI enquanto a empresa busca concluir a nova rodada, segundo fontes ouvidas pela CNBC. A estratégia enfatiza a força no mercado consumidor, a expansão do negócio corporativo e o acesso privilegiado à capacidade computacional.

Em março, a OpenAI fechou uma rodada de US$ 41 bilhões, com US$ 30 bilhões do SoftBank e US$ 11 bilhões de outros investidores. A captação atual pode ser estruturada em duas etapas e ainda está em negociação, com possíveis aportes adicionais de empresas como Microsoft, Nvidia e Amazon.

ChatGPT acelera e Codex ganha tração

Em mensagem interna no Slack vista pela CNBC, Altman afirmou que o ChatGPT voltou a registrar crescimento mensal acima de 10% e que a empresa prepara o lançamento de “um modelo de chat atualizado” ainda nesta semana.

O executivo também destacou o avanço do Codex, produto de programação da OpenAI, que teria crescido cerca de 50% em relação à semana anterior. O Codex concorre diretamente com o Claude Code, da Anthropic, que ganhou espaço ao longo do último ano.

Na semana passada, a OpenAI lançou um novo modelo do Codex, o GPT-5.3-Codex, além de um aplicativo dedicado para usuários de computadores Apple. Segundo Altman, o ritmo de crescimento do produto é elevado.

Atualmente, mais de 800 milhões de pessoas usam o ChatGPT semanalmente, mas a empresa enfrenta concorrência crescente de Google e Anthropic. Em dezembro, a OpenAI declarou um “code red” interno para priorizar melhorias no chatbot.

Anúncios, disputa pública e nova frente de receita

A rivalidade com a Anthropic também se estendeu ao marketing. A OpenAI reagiu publicamente a anúncios exibidos pela concorrente no Super Bowl, que ironizavam a decisão de testar publicidade no ChatGPT. Em publicação no X (antigo Twitter), Altman afirmou que os comerciais eram “enganosos”.

Segundo uma fonte citada pela CNBC, a OpenAI inicia nesta semana os testes oficiais de anúncios no ChatGPT. A empresa informou anteriormente que os anúncios serão claramente identificados, aparecerão ao final das respostas e não influenciarão o conteúdo gerado. No longo prazo, a expectativa é que publicidade represente menos da metade da receita.

Quando captar dinheiro vira comprar computação

O modelo da OpenAI mistura papéis tradicionais. Investidores entram como sócios e, muitas vezes, retornam como fornecedores de chips, nuvem ou data centers. O capital investido volta ao sistema como pagamento por infraestrutura, frequentemente para as mesmas empresas que participaram da rodada.

Esse arranjo começou a ganhar escala com a Microsoft, que investiu cerca de US$ 13 bilhões entre 2019 e 2023 e se tornou fornecedora exclusiva de nuvem da OpenAI. Parte relevante desse capital retornou como consumo de infraestrutura no Azure, usada para treinar e operar os modelos.

Chips, data centers e dependência crescente

Com a expansão dos modelos, os chips se tornaram o principal gargalo. A Nvidia, dominante em processadores para IA, ocupa posição central nesse ecossistema. Ao mesmo tempo, a OpenAI busca reduzir riscos, firmando acordos com a AMD e desenvolvendo chips próprios em parceria com Broadcom e TSMC.

Todo mundo quer uma fatia da OpenAI — e Sam Altman controla o jogo

A lógica se estendeu aos data centers. A Oracle assumiu compromissos de investimento em instalações dedicadas à OpenAI, enquanto a empresa assinou contratos de longo prazo para uso dessa capacidade. Com a CoreWeave, a relação inclui contratos bilionários e participação acionária, em um ciclo no qual capital financia chips e retorna como poder computacional.

Valuation elevado e risco sistêmico

Esse modelo ajudou a levar a OpenAI a uma avaliação próxima de US$ 500 bilhões, mesmo sem abertura de capital e sem lucro recorrente.

Em 2025, a empresa realizou a maior venda secundária já registrada em uma companhia privada e assumiu compromissos superiores a US$ 1 trilhão em gastos de infraestrutura para a próxima década.

Acompanhe tudo sobre:OpenAIChatGPT

Mais de Inteligência Artificial

O sistema que fez a OpenAI valer US$ 500 bilhões

Da Nvidia à Casa Branca: as alianças que transformaram a OpenAI

OpenAI lança GPT-5.3-Codex e acelera integração entre programação e chat

Meta estuda lançar app próprio que gera vídeos de IA; o plano é competir com TikTok