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Especialistas defendem que decisões estratégicas, éticas e de liderança devem permanecer sob responsabilidade humana, mesmo com o avanço da inteligência artificial (Thinkstock)
Redatora
Publicado em 27 de junho de 2026 às 06h09.
A inteligência artificial já escreve relatórios, resume reuniões, analisa documentos e automatiza tarefas que antes consumiam horas de trabalho. O avanço da tecnologia levou muitas empresas a incorporá-la à rotina, mas especialistas alertam que ainda existem áreas em que a decisão humana continua insubstituível.
Para pesquisadores do MIT Sloan School of Management, o desafio da liderança em 2026 deixou de ser apenas entender como a IA funciona. A principal questão passou a ser identificar o que pode ser automatizado e o que deve permanecer sob responsabilidade das pessoas.
Modelos de IA conseguem analisar cenários, identificar padrões e até sugerir caminhos para um negócio. No entanto, definir a direção de uma empresa continua sendo uma atribuição humana.
Segundo especialistas do MIT Sloan, líderes devem utilizar a tecnologia como ferramenta de apoio, e não como substituta da tomada de decisão estratégica.
A definição de prioridades, avaliação de riscos e escolha entre diferentes caminhos envolve fatores que vão além dos dados disponíveis, como contexto econômico, cultura organizacional e objetivos de longo prazo.
Outro erro recorrente é acreditar que a inteligência artificial pode assumir funções de gestão de pessoas.
Embora consiga resumir avaliações de desempenho, organizar informações ou sugerir planos de ação, a IA não substitui conversas difíceis, mediação de conflitos, desenvolvimento de talentos ou construção de confiança entre equipes.
Para os pesquisadores, liderar passou a significar menos domínio da tecnologia e mais capacidade de orientar pessoas durante um período de mudanças aceleradas.
Outra área considerada inadequada para delegação integral envolve decisões éticas.
A inteligência artificial pode apresentar diferentes alternativas para um problema, mas não possui responsabilidade sobre as consequências dessas escolhas.
Questões relacionadas à privacidade de dados, uso responsável da tecnologia, diversidade ou impactos sociais precisam continuar sendo avaliadas por pessoas.
Essa preocupação aparece, inclusive, entre executivos que participam dos programas de educação do MIT. O interesse deixou de ser apenas aprender a usar IA e passou a incluir como implementar a tecnologia sem comprometer segurança, propriedade intelectual ou conformidade regulatória.
Em momentos de crise, empresas precisam tomar decisões que envolvem comunicação, transparência e relacionamento com clientes, colaboradores e investidores.
Embora a IA possa ajudar na elaboração de comunicados ou análise de cenários, a palavra final sobre posicionamentos institucionais continua dependendo de julgamento humano. Um texto tecnicamente correto nem sempre considera fatores culturais, emocionais ou reputacionais envolvidos em uma situação delicada.
Pesquisadores do MIT identificaram um padrão entre organizações que não conseguem obter resultados expressivos com inteligência artificial: muitas começam pela tecnologia, quando deveriam começar pelo problema de negócio.
Em vez de perguntar "onde podemos usar IA?", especialistas recomendam que as empresas definam primeiro qual resultado pretendem alcançar. A tecnologia passa a ser apenas um dos instrumentos disponíveis para atingir esse objetivo.
Outro equívoco frequente é confundir ganho de produtividade com geração de valor. Automatizar tarefas individuais pode economizar tempo, mas isso não significa, necessariamente, melhorar resultados financeiros, aumentar receita ou transformar a forma como a organização opera.
À medida que a inteligência artificial assume atividades cada vez mais complexas, cresce também a importância do julgamento humano.