Inteligência Artificial

O paradoxo da IA que está tirando US$ 1,5 trilhão das big techs

Investidores vivem dilema: tecnologia pode destruir empresas — ou pode nunca dar retorno suficiente

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 14h45.

O terremoto recente nas bolsas provocado pela inteligência artificial expõe um paradoxo que hoje domina Wall Street.

De um lado, cresce o medo de que a IA seja tão disruptiva que elimine modelos de negócio inteiros. Investidores passaram a vender ações de qualquer empresa considerada vulnerável à automação, de gestoras de patrimônio a corretoras de seguros e empresas de logística.

De outro, há o receio oposto: o de que os centenas de bilhões de dólares investidos por gigantes como Amazon, Microsoft, Meta e Alphabet não gerem retorno relevante tão cedo.

As duas preocupações são difíceis de conciliar. Se a IA vai revolucionar tudo rapidamente, o retorno deveria aparecer logo. Se não vai gerar lucro no curto prazo, talvez o impacto não seja tão imediato.

Ainda assim, ambas estão pressionando o mercado ao mesmo tempo.

O peso dos investimentos bilionários

Desde o início da temporada de balanços, no fim de janeiro, as ações das principais big tech acumulam perdas expressivas. Microsoft e Amazon caíram mais de 16% em poucas semanas. A Alphabet recuou cerca de 11% desde o pico recente, enquanto a Meta perdeu 13% após divulgar resultados.

No total, quase US$ 1,5 trilhão em valor de mercado evaporou das quatro gigantes desde o início da correção, levando o índice Nasdaq 100 ao campo negativo no ano.

O incômodo central está no volume de investimento. Apenas essas quatro empresas devem gastar mais de US$ 600 bilhões em despesas de capital em 2026, principalmente em data centers e infraestrutura para treinar modelos de IA.

Esse ritmo consome praticamente todo o fluxo de caixa operacional das companhias, algo inédito na última década, período em que as big tech eram vistas como máquinas de geração de caixa.

Analistas começam a questionar a sustentabilidade dessa estratégia. O UBS rebaixou recentemente sua recomendação para o setor de tecnologia, argumentando que o nível atual de gastos pode ser excessivo e financiado cada vez mais por dívida.

O medo da substituição

Enquanto isso, o outro lado do mercado sofre com o risco de ser “atropelado” pela IA.

O lançamento de ferramentas da Anthropic voltadas a advogados e analistas financeiros pressionou ações de empresas desses setores. Produtos ligados à OpenAI afetaram corretoras de seguros. Até startups menores conseguiram provocar quedas em empresas de gestão patrimonial e logística apenas com anúncios de novos sistemas baseados em IA.

O resultado é um movimento de venda em cadeia: empresas que investem demais caem; empresas que podem ser substituídas também caem.

Para alguns estrategistas, trata-se de uma reação exagerada. A adoção comercial da IA ainda é gradual, e a tecnologia pode acabar aumentando a eficiência, e não destruindo, muitas dessas companhias.

 

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