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(Antonio Bordunovi/Getty Images)
Repórter
Publicado em 30 de junho de 2026 às 14h58.
A Nvidia teria cancelado a versão mais ambiciosa de seu próximo chip de inteligência artificial (IA), o Rubin Ultra, apenas três meses depois de apresentá-lo.
A informação é da SemiAnalysis, empresa de pesquisa em semicondutores, que afirma que o projeto original — com quatro núcleos de processamento em uma única peça — foi substituído por um desenho com metade do tamanho e cerca de metade do desempenho real, por causa de problemas de fabricação.
O relatório, publicado na segunda-feira, 29, na rede social X (antigo Twitter), reacendeu o debate sobre a capacidade de execução da líder do mercado de chips de IA — e veio acompanhado de uma controvérsia, já que parte do setor argumenta que a notícia apenas requenta uma informação já conhecida desde março, e acusa a SemiAnalysis de viés contra a Nvidia.
INTERESTING: Only 3 months after Rubin Ultra was announced at GTC 2026, the original 4-die Rubin Ultra has been cancelled due to manufacturing execution concerns. The new “Rubin Ultra” is half the size/~ half the real-world performance of the original Rubin Ultra. 1/4🧵 pic.twitter.com/7IveV1LvFe
— SemiAnalysis (@SemiAnalysis_) June 29, 2026
O projeto inicial era um dos mais audaciosos da Nvidia em anos.
Apresentado na conferência GTC 2026, em março, o Rubin Ultra previa juntar quatro chips de processamento e 16 módulos de memória HBM4E em um único pacote — o equivalente, na prática, a costurar dois chips Rubin completos em uma só peça, com lançamento previsto para 2027.
A ambição esbarrou na engenharia. Conectar quatro chips desse tamanho exige uma técnica de empacotamento avançada, a CoWoS-L, da fabricante taiwanesa TSMC.
Segundo a SemiAnalysis, na configuração de quatro núcleos, o substrato do pacote empenava — entortava em várias direções —, o que prejudicava o contato entre os chips e comprometia a transmissão dos sinais.
Diante disso, a Nvidia teria optado por um desenho com dois chips, mais fácil de produzir.
A firma de pesquisa colocou o cancelamento em um contexto mais amplo e mais incômodo para a Nvidia. Segundo a SemiAnalysis, a participação de mercado da empresa vem sendo corroída por chips concorrentes — o Trainium, da Amazon, as TPUs, do Google, e os processadores da AMD.
"Problemas no nível de execução da fabricação só vão resultar em mais perda de participação de mercado", escreveu a companhia.
O argumento mira o CUDA, ecossistema de software considerado a maior barreira competitiva da Nvidia.
Segundo a SemiAnalysis, "o Claude, um dos agentes de IA mais bem-sucedidos, roda uma parte substancial de seu raciocínio no Trainium, enquanto seu treinamento é feito em TPUs". A empresa afirma que, um ano atrás, seria difícil imaginar que esses chips alternativos cresceriam tão rápido.
A repercussão, porém, foi dividida.
Vários usuários do setor apontaram que o cancelamento da versão de quatro chips já era público desde março, e acusaram a SemiAnalysis de recauchutar uma informação antiga com viés negativo.
Alguns foram além e sugeriram que a firma teria motivações ligadas a apostas contra a ação da Nvidia.
Outro ponto reforça a cautela.
A própria SemiAnalysis publicou uma projeção otimista para a Nvidia, estimando que a receita de data centers da empresa no segundo semestre ficará 20% acima do consenso de Wall Street — graças à resolução de um gargalo na memória HBM4 que vinha atrasando a produção.
Às 14h51, no horário de Brasília, as ações da Nvidia operavam em alta de 1,66%.
O impacto comercial do redesenho também é objeto de disputa.
Como a Nvidia vende cada vez mais sistemas completos de servidores, e não chips avulsos, a versão de dois núcleos sairia mais barata por unidade — e, se os clientes precisarem comprar mais sistemas para obter o mesmo poder de processamento, podem até gastar mais no total.
Há ainda um efeito colateral no mercado de memória. O desenho menor usará oito módulos HBM4E em vez de 16, o que pode mexer na demanda por esse componente, hoje em alta.
A Nvidia ainda não comentou publicamente a mudança de projeto.