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Musk x Altman: julgamento se aproxima do fim com ataques à credibilidade do CEO da OpenAI

Processo de Musk contra OpenAI se aproxima da conclusão com riscos para IPOs das empresas dos envolvidos

Sam Altman: CEO da OpenAI enfrenta processo que definirá futuro da OpenAI (Florian Gaertner/Getty Images)

Sam Altman: CEO da OpenAI enfrenta processo que definirá futuro da OpenAI (Florian Gaertner/Getty Images)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 15 de maio de 2026 às 10h15.

O maior julgamento do mercado de inteligência artificial chegou à fase decisiva nesta quinta-feira. Advogados de Elon Musk e da OpenAI apresentaram seus argumentos finais no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, semanas após documentos revelarem as entranhas da empresa criadora do ChatGPT. A partir de agora, um júri de 9 pessoas tem em mãos uma decisão que pode redesenhar o equilíbrio de forças no setor de IA e colocar em risco o IPO da companhia, esperado entre os maiores da história.

O processo, aberto por Musk em 2024, questiona se a OpenAI traiu sua missão original ao abandonar o modelo sem fins lucrativos que teria norteado sua fundação em 2015. O bilionário, que investiu US$ 38 milhões na empresa em seus primeiros anos, alega que Altman e o cofundador Greg Brockman conduziram essa transição às suas costas.

A OpenAI rebate afirmando que Musk tinha conhecimento e apoiava a transformação e que sua saída decorreu justamente da recusa dos demais cofundadores em lhe conceder controle absoluto.

Na semana passada, documentos apresentados no tribunal revelaram que Altman possui participações superiores a US$ 2 bilhões em 9 empresas com contratos comerciais com a OpenAI — informações que seu advogado explorou para questionar conflitos de interesse. Antes disso, o júri ouviu de ex-integrantes do conselho que Altman foi demitido em 2023 por um padrão de comportamento ligado à falta de transparência, retornando ao cargo apenas 5 dias depois após pressão dos funcionários.

Credibilidade no banco dos réus

No encerramento desta quinta, o advogado de Musk, Steven Molo, destacou que a condenação ou absolvição passa pela credibilidade de Sam Altman. Ele relembrou que 5 testemunhas o descreveram como mentiroso durante o processo. "Se vocês não acreditam em Sam Altman, os réus não podem vencer. É simples assim", disse Molo ao júri.

Do outro lado, a advogada da OpenAI, Sarah Eddy, virou o argumento: seria Musk quem distorce os fatos. Para ela, o bilionário tentou convencer os jurados de que suas doações de anos atrás viriam com condições permanentes que lhe garantiriam controle perpétuo sobre a empresa. "Ele queria domínio sobre a AGI", afirmou Eddy, usando o termo que designa uma inteligência artificial superior à humana. "É por isso que essa conversa era tão importante. O Sr. Musk queria controle total".

Uma tensão paralela ocorreu durante a sessão: a juíza Yvonne Gonzalez Rogers repreendeu o advogado de Musk após ele sugerir ao júri que seu cliente não buscava dinheiro no processo. Na prática, Musk pede que bilhões sejam revertidos para a ala filantrópica da OpenAI, o que a própria magistrada classificou como pedido de "bilhões em disgorgement". O advogado foi obrigado a recuar ou abrir mão da demanda financeira e ambas as partes acordaram que a juíza faria a correção perante os jurados.

Se a decisão for favorável a Musk, a abertura de capital da OpenAI, planejada para este ano, ficaria em dúvida. Enquanto isso, do lado de fora do tribunal, manifestantes criticavam ambas as partes, argumentando que, independentemente do veredito, quem perde é a sociedade.

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