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Em depoimento, Sam Altman diz que Musk queria passar controle da OpenAI aos filhos

CEO da OpenAI depõe no julgamento que pode definir o futuro do ChatGPT, rejeita acusações de desonestidade e revela bastidores a partir de 2017

Sam Altman, CEO da OpenAI: executivo depõe em processo iniciado por Elon Musk (Florian Gaertner / Colaborador/Getty Images)

Sam Altman, CEO da OpenAI: executivo depõe em processo iniciado por Elon Musk (Florian Gaertner / Colaborador/Getty Images)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 13 de maio de 2026 às 12h02.

Última atualização em 13 de maio de 2026 às 12h03.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, prestou depoimento na terça-feira, 12, no julgamento movido por Elon Musk contra a empresa no tribunal federal de Oakland, na Califórnia. Em seu testemunho, Altman descreveu o momento em que cofundadores questionaram o bilionário da Tesla sobre o que aconteceria com o controle da organização caso ele viesse a falecer. A resposta do executivo, que deixou Altman "profundamente desconfortável", foi que o poder provavelmente passaria para seus filhos.

A situação volta a 2017, quando os fundadores da empresa dona do ChatGPT negociavam a criação de uma subsidiária com fins lucrativos. Altman afirmou que Musk exigia controle total da nova entidade, mas se recusava a colocar esse compromisso em contrato, gerando desgaste com os demais cofundadores.

“Um momento particularmente arrepiante foi quando meus cofundadores perguntaram ao Sr. Musk: ‘Se você tiver o controle, o que acontece quando você morrer?’ Ele respondeu algo como: ‘Não pensei muito sobre isso, mas talvez eu deva passar o controle para meus filhos’”, revelou Altman enquanto testemunha.

Disputa por controle vem do nascimento

Altman disse ao júri que Musk chegou a propor inicialmente ficar com 90% do capital da empresa. Ao longo das negociações, esse percentual recuou, mas a exigência de maioria nunca foi abandonada. Para Altman, a lógica da OpenAI sempre foi contrária à concentração de poder: nenhuma pessoa, independentemente de suas intenções, deveria ter controle absoluto sobre uma inteligência artificial de nível humano.

Sob questionamento dos advogados de Musk, Altman rejeitou a tese de que a OpenAI e a Microsoft teriam "roubado uma instituição de caridade". Ele argumentou que a migração para o modelo com fins lucrativos foi a única forma viável de captar os recursos necessários para desenvolver IA de forma segura e em escala.

O advogado de Musk, Steven Molo, tentou minar a credibilidade de Altman ao questionar se ele era confiável, ao que o executivo respondeu positivamente antes de revelar que já ouviu associados chamá-lo de mentiroso. O júri já ouviu de ex-integrantes do conselho da OpenAI que Altman foi demitido em 2023 por um padrão de comportamento ligado à falta de transparência — ele retornou ao cargo cinco dias depois, após protesto de funcionários.

O processo, iniciado por Musk em 2024, questiona se a OpenAI abandonou sua missão original sem fins lucrativos ao se transformar em empresa avaliada em centenas de bilhões de dólares. A OpenAI rebate dizendo que Musk tinha ciência e apoio à transição, e que sua saída decorreu justamente da recusa dos cofundadores em lhe conceder controle absoluto. Essa narrativa foi recentemente reforçada pelo depoimento de Shivon Zilis, mãe de quatro filhos do bilionário, que abalou a versão de Musk nas semanas anteriores do julgamento.

Musk pede US$ 150 bilhões em indenização da OpenAI e da Microsoft, além da destituição de Altman e do presidente Greg Brockman. O resultado do processo pode ainda afetar os planos de abertura de capital da companhia, que a avaliaria em até US$ 1 trilhão.

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