Inteligência Artificial

Lovable cresce com onda do ‘vibe coding’ e atinge US$ 400 milhões em receitas

Startup suecareúne 8 milhões de usuários e foi avaliada em US$ 6,6 bilhões no fim de 2025

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 12 de março de 2026 às 15h03.

O fenômeno vibe coding, que consiste na programação de códigos completos em inteligência artificial, tem feito novas empresas e iniciativas se destacarem no setor. Uma delas é a Lovable, que alcançou US$ 400 milhões na receita anual em fevereiro. Fundada em 2023, a empresa afirmou ter atingido US$ 400 milhões em receita anual em fevereiro, em meio ao avanço de plataformas que prometem transformar comandos de texto em sites, aplicativos e outras estruturas de software.

A companhia afirmou que seu foco passou a ser ajudar 'desenvolvedores a ampliar seu impacto' com o uso da plataforma. O produto começou como uma combinação de diferentes modelos de linguagem voltados à programação e foi ganhando espaço à medida que cresceu o interesse por ferramentas capazes de automatizar etapas inteiras do desenvolvimento.

A empresa afirma ter se tornado um unicórnio, jargão do mercado para startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, apenas um mês após o lançamento. Hoje, segundo a própria companhia, a Lovable tem mais de 8 milhões de usuários e chegou a US$ 6,6 bilhões em valor de mercado no final de 2025. Em dezembro, a startup concluiu uma rodada Série B que somou US$ 330 milhões, com apoio principal de CapitalG e Menlo Ventures.

Anton Osika, cofundador e atual presidente-executivo da Lovable, disse durante a Web Summit de novembro de 2025 que mais da metade das empresas da lista Fortune 500 usam a plataforma. Segundo ele, o interesse dessas companhias está ligado tanto ao ganho de criatividade no trabalho quanto aos mecanismos de segurança interna oferecidos para reduzir a resistência de clientes corporativos diante da nova tecnologia.

A trajetória da Lovable ajuda a mostrar como o vibe coding saiu do campo da curiosidade para virar um segmento disputado por startups e plataformas de desenvolvimento. O modelo de negócio se apoia sobretudo em usuários com familiaridade com tecnologia, mas sem conhecimento técnico suficiente para programar sozinhos. Nesses casos, a promessa é gerar produtos digitais inteiros a partir de prompts, comandos em texto, com especificações claras.

A atratividade dessas ferramentas está na possibilidade de encurtar o caminho entre ideia e produto, embora os resultados ainda tragam falhas frequentes de segurança, confiabilidade e acabamento técnico. O ponto de comparação mais comum aparece com modelos generalistas, como ChatGPT, que também escrevem código, mas em geral exigem maior revisão humana antes de uma aplicação prática mais ampla.

Concorrentes usam modelos conhecidos, mas esbarram em limitações

Plataformas como Bolt, Cursor, Windsurf e Mercor disputam o mesmo espaço que a Lovable vem ocupando. Em comum, elas tentam aproveitar a popularização de modelos de linguagem já conhecidos para oferecer uma experiência mais direta de programação assistida, com foco na construção de sites, aplicativos e automações a partir de instruções em linguagem natural.

O Cursor, por exemplo, funciona como uma camada adicional sobre modelos como ChatGPT e Claude Code, assistente de programação da Anthropic, para tornar o vibe coding mais eficiente. A plataforma permite que o usuário escolha com qual modelo deseja trabalhar, mas isso não elimina erros. O avanço do setor também ampliou o debate sobre riscos em aplicações geradas por IA, especialmente quando surgem produtos sem estrutura adequada de proteção, revisão e governança.

A Lovable tem usado seus indicadores recentes como vitrine do momento favorável. Em uma de suas atualizações públicas, a empresa afirmou que mais de 500 mil projetos foram criados ou atualizados em sua plataforma no Dia Internacional da Mulher. O dado foi apresentado como exemplo dos “recordes” recentes alcançados pela companhia.

Com 146 funcionários em tempo integral, a startup ampliou a operação com um novo escritório em Estocolmo e anunciou 70 vagas para trabalho remoto ou presencial em cidades como Boston, Londres, Nova York e São Francisco. O movimento sugere que a empresa tenta transformar o entusiasmo em torno do vibe coding em estrutura permanente de negócios, num mercado em que crescer rápido não tem sido sinônimo automático de entregar software confiável na mesma velocidade.

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