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(Imagem gerada por IA)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 06h37.
Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 08h45.
Depois das empresas e dos consumidores, os agentes de inteligência artificial começam a chegar à máquina pública. Para Simone Maria Parazzoli, cofundador da The Agentic State, organização sem fins lucrativos que estuda o uso de IA agêntica por governos, o mundo caminha para a era dos "Estados agênticos", e essa transição deve ganhar velocidade nos próximos dois anos.
Parazzoli falou nesta quarta-feira, 30, no Atlantic Convergence, evento realizado em Lisboa. A organização acompanha o tema há cerca de um ano e meio, quando publicou um relatório projetando como funcionariam governos operados por agentes de IA, com base em entrevistas com 21 formuladores de políticas públicas de 15 países.
Mais recentemente, colocou no ar um observatório online para mapear iniciativas do tipo pelo mundo. Em apenas 48 dias, a ferramenta registrou 360 projetos em 56 países, e 59% deles já estão em funcionamento.
Entre os casos mais avançados, Parazzoli destaca três países. A Estônia desenvolve um sistema de identidade digital para agentes de IA, que permitirá a eles representar cidadãos estonianos na solicitação de serviços públicos.
Os Emirados Árabes Unidos foram mais longe na ambição: o governo anunciou que pretende ter metade dos serviços públicos coordenados por agentes de IA dentro de dois anos.
Já a Ucrânia começou a implementar uma arquitetura de Estado agêntico baseada em três agentes: um voltado ao atendimento da população, outro para apoiar os servidores públicos e um terceiro dedicado a compliance.
Na avaliação de Parazzoli, os governos têm dois caminhos. No ofensivo, o Estado se antecipa e lança serviços públicos operados por agentes de IA. No defensivo, reage a uma demanda que já existe: a de cidadãos que recorrem a ferramentas fora do controle do poder público, como o ChatGPT e o Claude, para lidar com a burocracia.
Das 360 iniciativas mapeadas, 73% seguem a estratégia ofensiva, 24% a defensiva e 3% combinam as duas.
O movimento defensivo já tem motivo concreto. Segundo Parazzoli, alguns países enfrentam saturação de seus serviços públicos digitais por causa do volume de acessos feitos por agentes criados pela própria população com ferramentas comerciais de IA.