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O function calling conecta modelos de IA a sistemas externos, permitindo que comandos em linguagem natural acionem funções específicas (Alones/Shutterstock)
Redatora
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 06h01.
Uma pessoa pode pedir a um chatbot para consultar o estoque de uma loja, verificar o horário de um voo ou criar um compromisso na agenda.
Por conta própria, o modelo de linguagem não tem necessariamente acesso a esses sistemas. É aí que entra o function calling, técnica que permite conectar a IA a funções externas e transformar uma solicitação em uma ação executável.
O recurso funciona como uma ponte entre o modelo de linguagem e outros softwares. A IA interpreta o pedido do usuário, identifica qual função precisa ser acionada e fornece os parâmetros necessários para que um sistema externo execute a tarefa.
Depois, o resultado pode voltar para o modelo, que apresenta a informação ao usuário em linguagem natural.
O processo começa quando o desenvolvedor disponibiliza para o modelo uma lista de funções que ele pode utilizar. Cada uma delas possui informações sobre sua finalidade e os dados necessários para executá-la.
Se um aplicativo tiver uma função de consulta ao estoque, por exemplo, o sistema pode informar à IA que ela recebe o código ou nome de um produto. Ao receber a pergunta "Quantas unidades do produto X estão disponíveis?", o modelo identifica que precisa utilizar aquela função e envia os dados correspondentes.
A aplicação então executa a consulta no banco de dados e devolve o resultado. A IA pode transformar essa informação em uma resposta compreensível, como "Há 18 unidades disponíveis".
A diferença está no que acontece depois da geração do texto. Um chatbot convencional pode explicar ao usuário como consultar o estoque ou sugerir que ele procure a informação em determinado sistema.
Com function calling, a aplicação pode efetivamente realizar a consulta, desde que tenha acesso autorizado à ferramenta correspondente.
O mesmo princípio pode ser utilizado para reservar horários, consultar preços, buscar informações em bancos de dados, abrir chamados ou atualizar registros.
A IA funciona como uma camada de interpretação: entende a intenção expressa em linguagem natural e encaminha a solicitação para o sistema capaz de executá-la.
A tecnologia permite incorporar modelos de linguagem a fluxos de trabalho que já existem. Uma empresa pode, por exemplo, conectar um assistente interno ao sistema de atendimento e permitir que funcionários consultem pedidos ou informações de clientes sem precisar navegar manualmente por diferentes telas.
Isso também abre espaço para aplicações mais complexas. Um único pedido pode exigir várias funções diferentes, como consultar um cadastro, verificar disponibilidade e registrar uma solicitação. A aplicação pode coordenar essas etapas e devolver ao usuário um resultado final.
O function calling não significa que a IA ganhou acesso irrestrito aos sistemas de uma empresa. As funções disponíveis são definidas pelo desenvolvedor, que também determina quais informações podem ser enviadas e quais ações podem ser executadas.
Essa camada de controle é importante para segurança. Uma função que altera dados, realiza uma compra ou movimenta recursos, por exemplo, pode exigir autenticação, confirmação do usuário ou outras verificações antes de ser executada.