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Meta entra na disputa contra OpenAI e Google com plataforma de IA corporativa

Com novo ecossistema corporativo de IA, empresa de Mark Zuckerberg tenta atender à pressão por retorno sobre investimentos

Mark Zuckerberg: CEO da Meta fez anúncio no X (Paul Morris/Getty Images)

Mark Zuckerberg: CEO da Meta fez anúncio no X (Paul Morris/Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 28 de setembro de 2026 às 10h06.

Última atualização em 28 de setembro de 2026 às 10h08.

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RESUMO +

A Meta anunciou a Meta Enterprise Platform, plataforma voltada a empresas e desenvolvedores que reúne modelos de inteligência artificial, agentes, APIs e ferramentas de programação. Mark Zuckerberg chamou o projeto de "o próximo grande pilar" do negócio. A iniciativa coloca a Meta no mercado corporativo de IA ao lado de OpenAI, Anthropic e Google, mas ainda não tem preços ou data de lançamento divulgados.

A Meta anunciou nesta segunda-feira, 28, a Meta Enterprise Platform, que Mark Zuckerberg chamou de "o próximo grande pilar" do negócio da empresa. Em publicação na rede X, o CEO disse que a plataforma vai levar a empresas e desenvolvedores o que a Meta chama de "pilha tecnológica completa", incluindo o agente Muse, o Meta Business Agent, a Muse API e o Muse Code.

"A Meta Enterprise Platform vai usar nossas forças, que poucas empresas têm: modelos avançados, agentes líderes, infraestrutura em larga escala e anos de trabalho próximo com muitas empresas", escreveu. O texto não traz preços, datas de disponibilidade nem clientes.

O movimento tira a companhia do papel de intermediária de anúncios e a coloca como fornecedora de tecnologia, no mesmo mercado de OpenAI, Anthropic e Google.

O que a Meta já tem para vender?

Quase todas as peças já existem. O Muse, agente pessoal que responde e-mails, reserva viagens e faz compras, estreou em 8 de setembro e chegou ao topo da App Store dez dias depois. Tem mais de 2,5 milhões de downloads, segundo a Sensor Tower. É construído sobre o Muse Spark, modelo lançado em abril pela Meta Superintelligence Labs.

O Business Agent foi apresentado em 3 de junho, em Londres, e opera em WhatsApp, Messenger e Instagram. Ele responde a clientes no tom da empresa, qualifica contatos e passa casos complexos para atendentes humanos.

Segundo a Reuters, mais de 1 milhão de empresas já usavam versões anteriores desses agentes. Na ocasião, Naomi Gleit, chefe de produto da Meta, disse que "isso é definitivamente uma jogada para empresas". A Meta também informou que enviaria engenheiros para trabalhar dentro dos clientes, modelo usado pela Anthropic.

A Muse API estava restrita a parceiros em abril e foi aberta em julho com o Muse Spark 1.1. O chefe de IA da Meta, Alexandr Wang, disse à CNBC que o preço era "muito agressivo e atraente" frente a Anthropic e OpenAI e que cada nova conta começava com US$ 20 em créditos.

Por que agora?

A pressão vem de Wall Street.

Segundo a CNBC, Zuckerberg é cobrado a mostrar retorno sobre o gasto em IA, e a Meta não tem um negócio de nuvem, embora planeje começar um. Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, segundo um resumo do site Enterprise DNA, ele disse ver "uma grande oportunidade de vender para empresas" e listou APIs, agentes de negócios e, "potencialmente", a venda direta de capacidade de computação.

Os concorrentes já operam nesse território. Em janeiro, a diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, disse à CNBC que clientes corporativos respondiam por 40% do negócio da empresa, e o CEO da Anthropic, Dario Amodei, disse que cerca de 80% da receita da sua companhia vinha de empresas.

O risco de vender para quem compete com você

A Meta chega com uma vantagem de tráfego e um problema de confiança. Zuckerberg disse, no Connect, que o Muse será gratuito para "um enorme número de tokens", na expectativa de lucrar, com o tempo, com "uma pequena taxa das transações".

A taxa, segundo o The Street, viria dos comerciantes, e não dos compradores. Walmart, Sephora, Best Buy, Expedia e Shopify estão entre os que integram o agente, e a Amazon bloqueou o acesso do Muse à sua loja, segundo a CNN.

A reação do mercado foi imediata. Ações de Airbnb, Expedia e Tripadvisor caíram cerca de 5% na semana passada, depois de a Meta anunciar novidades para o Muse.

Para empresas, a escolha, diz a rede, é entre se aliar à Meta, correndo o risco de sua própria plataforma perder relevância, ou ficar de fora de um canal com bilhões de clientes. As ações da Meta subiram mais de 25% desde que o Muse foi anunciado, em setembro.

Perguntas frequentes

O que é a Meta Enterprise Platform? +

A Meta Enterprise Platform é uma plataforma anunciada pela Meta para oferecer a empresas e desenvolvedores uma estrutura de inteligência artificial que reúne modelos, agentes, infraestrutura e ferramentas de desenvolvimento. Entre os produtos citados estão o Muse, o Meta Business Agent, a Muse API e o Muse Code.

O que a Meta Enterprise Platform oferece? +

A plataforma reúne ferramentas de inteligência artificial para empresas e desenvolvedores, incluindo agentes de IA, APIs e ferramentas para programação. A Meta descreve o conjunto como uma "pilha tecnológica completa", apoiada por seus modelos, agentes e infraestrutura de computação.

O que é o Muse, da Meta? +

O Muse é um agente de inteligência artificial da Meta capaz de executar tarefas como responder e-mails, reservar viagens e realizar compras. O agente foi lançado em setembro de 2026 e é construído sobre o modelo Muse Spark, desenvolvido pela Meta Superintelligence Labs.

O que é o Meta Business Agent? +

O Meta Business Agent é um agente de inteligência artificial voltado ao atendimento de clientes. Ele funciona em serviços como WhatsApp, Messenger e Instagram, podendo responder consumidores no tom de uma empresa, qualificar contatos e encaminhar casos mais complexos para atendentes humanos.

O que é a Muse API? +

A Muse API permite que empresas e desenvolvedores integrem os recursos de inteligência artificial da Meta a seus próprios produtos e sistemas. A API começou restrita a parceiros e posteriormente foi disponibilizada de forma mais ampla com o modelo Muse Spark 1.1.

Quanto custa a Meta Enterprise Platform? +

A Meta ainda não divulgou preços para a Meta Enterprise Platform. Também não foram informadas uma data geral de disponibilidade ou uma lista de clientes da nova plataforma.

Por que a Meta está entrando no mercado corporativo de inteligência artificial? +

A iniciativa amplia a atuação da Meta em IA para além de seus próprios aplicativos e serviços de publicidade. A empresa busca vender modelos, agentes, APIs e outros recursos diretamente para empresas e desenvolvedores, em um mercado no qual OpenAI, Anthropic e Google já atuam.

Quem são os principais concorrentes da Meta Enterprise Platform? +

Entre os concorrentes estão a OpenAI, com seus produtos e APIs corporativos, a Anthropic, com seus modelos e ferramentas para empresas, e o Google, que oferece modelos de IA e infraestrutura de nuvem. As empresas disputam clientes corporativos que querem incorporar inteligência artificial a seus produtos e operações.

Quantas empresas já usam os agentes de negócios da Meta? +

Segundo a Reuters, mais de 1 milhão de empresas já utilizavam versões anteriores dos agentes de negócios da Meta. Esses agentes são usados em plataformas como WhatsApp, Messenger e Instagram para interações com clientes.

A Meta já vende serviços de inteligência artificial para empresas? +

Sim. Antes do anúncio da Meta Enterprise Platform, a empresa já oferecia produtos como o Meta Business Agent e a Muse API. A nova plataforma busca reunir e ampliar esse conjunto de produtos para empresas e desenvolvedores.

Qual é o risco para empresas ao usar ferramentas de IA da Meta? +

Uma questão levantada no mercado é a relação entre a Meta e empresas que também dependem de canais próprios para alcançar consumidores. Ao adotar ferramentas da Meta, uma companhia pode ganhar acesso à base de usuários das plataformas da empresa, mas também pode aumentar sua dependência desses canais.

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