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Europa pode transformar obstáculos em vantagem na corrida por data centers de IA

Com energia limitada e regras mais rígidas, Europa aposta em instalações mais sustentáveis, voltadas à inferência de inteligência artificial e à soberania digital

Hoje, a Europa abriga entre 200 e 300 data centers por país, enquanto os EUA somam mais de 5.000 (Getty Images/Getty Images)

Hoje, a Europa abriga entre 200 e 300 data centers por país, enquanto os EUA somam mais de 5.000 (Getty Images/Getty Images)

Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 09h27.

Embora esteja – e provavelmente permaneça – atrás de Estados Unidos e China na corrida pela inteligência artificial mais avançada do mundo, a Europa pode transformar seus obstáculos iniciais em vantagem estratégica. Com mercados fragmentados e regulação mais rígida, o continente avança em ritmo mais cauteloso, o que pode favorecer a construção de data centers mais sustentáveis, resilientes e preparados para mudanças tecnológicas futuras.

A consultoria McKinsey estima que a Europa quase dobrará sua capacidade de data centers até 2030, acompanhando uma expansão global liderada pelos EUA, cujo investimento pode chegar a US$ 7 trilhões no mesmo período.

O principal entrave para o avanço europeu está na disponibilidade de energia elétrica, cuja escassez ou custo elevado ajuda a definir onde os novos projetos são viáveis. Espanha e países nórdicos, com ampla oferta de fontes renováveis, concentram o interesse dos investidores. Já Alemanha, Reino Unido e Países Baixos enfrentam gargalos que travam a expansão.

Além disso, normas ambientais e urbanísticas em alguns países da região exigem que os desenvolvedores justifiquem a localização dos empreendimentos, relatem o consumo de energia e água e, em casos como o da Espanha, comprovem impacto socioeconômico.

Esses obstáculos iniciais, no entanto, podem forçar uma integração maior dos data centers às comunidades locais e, segundo especialistas, gerar ativos mais resilientes e valorizados no longo prazo.

Hoje, a Europa abriga entre 200 e 300 data centers por país, enquanto os EUA somam mais de 5.000. A combinação de desregulação e investimentos vultuosos está ampliando ainda mais essa diferença.

Por outro lado, o ritmo europeu reduz o risco de uma bolha. Especialistas apontam que os projetos tendem a ser mais planejados, com foco na inferência de IA – etapa que executa modelos já treinados e que deve representar 70% da demanda futura, segundo a McKinsey. Essas instalações exigem maior densidade energética e sistemas de resfriamento específicos.

Assim, ao contrário de EUA e China, que concentram a maior parte dos grandes modelos fundacionais, a Europa abriga poucos desenvolvedores nessa frente — a francesa Mistral é a mais conhecida exceção. Isso reforça a tendência do continente em se especializar na aplicação e distribuição desses modelos, em vez do treinamento de larga escala.

Soberania digital

A exigência de que dados sensíveis e operações de IA ocorram dentro das fronteiras europeias também é um vetor estratégico para novos investimentos em infraestrutura. Parte do esforço do continente por soberania digital, esse movimento pode mobilizar cerca de US$ 230 bilhões em projetos.

Para investidores, a estratégia reduz riscos de obsolescência e especulação, já que os ativos são projetados com base em demandas reais. A regulação do bloco também dificulta a proliferação de estruturas superdimensionadas e ociosas, comuns em ambientes menos regulados.

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