Inteligência Artificial

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Este cargo cresceu 283% e praticamente não existia antes da explosão da inteligência artificial

Dados da Deel mostram que a contratação internacional de AI trainers cresceu 283% em 2025, enquanto a função se espalhou por mais de 600 organizações

Este cargo cresceu 283% e praticamente não existia antes da explosão da inteligência artificial (Adobe Stock)

Este cargo cresceu 283% e praticamente não existia antes da explosão da inteligência artificial (Adobe Stock)

Publicado em 5 de outubro de 2026 às 11h15.

Última atualização em 5 de outubro de 2026 às 14h47.

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Um novo tipo de profissional ganhou espaço no mercado de trabalho junto com a expansão da inteligência artificial: o AI trainer, ou treinador de inteligência artificial. A função envolve ajudar sistemas de IA a produzir respostas mais precisas, úteis e adequadas a diferentes contextos.

Segundo o Global Hiring Report 2026, da Deel, a contratação internacional de profissionais para funções de AI trainer cresceu 283% em 2025, tornando a categoria a que mais avançou entre os trabalhos contratados internacionalmente na plataforma. A empresa afirma que mais de 70 mil pessoas já atuam na função em mais de 600 organizações.

Para quem trabalha, o surgimento da profissão mostra uma mudança importante: a inteligência artificial não demanda apenas programadores. Empresas também precisam de pessoas capazes de avaliar o comportamento dos modelos e aplicar conhecimento de diferentes áreas.

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O que faz um AI trainer

O trabalho varia conforme a empresa e o tipo de sistema desenvolvido. Entre as atividades estão a avaliação de respostas, classificação de dados, identificação de erros e fornecimento de feedback para melhorar modelos de inteligência artificial.

Um profissional também pode comparar duas respostas produzidas por um modelo e indicar qual é mais adequada. Em outros casos, pode analisar se uma resposta contém informações incorretas, linguagem inadequada ou não segue as instruções recebidas.

A profissão também pode exigir conhecimento específico. A Deel identificou funções de AI trainer relacionadas a áreas como medicina, economia, tradução, matemática e software.

Isso significa que o profissional não precisa necessariamente atuar como engenheiro de IA. Conhecimento de domínio pode ser parte importante do trabalho.

Por que esse cargo surgiu agora

Os modelos de inteligência artificial passaram a ser utilizados em tarefas que exigem linguagem, raciocínio e conhecimento especializado. Para aprimorar esses sistemas, empresas precisam de pessoas que consigam avaliar se os resultados produzidos são adequados.

Uma das técnicas utilizadas nesse processo é o chamado human-in-the-loop. O conceito significa manter pessoas envolvidas em determinadas etapas do desenvolvimento ou operação de um sistema de IA para fornecer avaliação e feedback.

A expansão desse tipo de trabalho acompanha o crescimento das próprias aplicações de IA. O relatório da Deel aponta que as funções de AI trainer aumentaram quase 11 vezes entre 2024 e 2025, considerando contratações locais e internacionais na plataforma.

O avanço da IA também aumenta a demanda por profissionais que saibam avaliar resultados, identificar limitações e aplicar a tecnologia em atividades reais.

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Não existe uma formação única para a profissão

Uma das características do AI trainer é justamente a falta de um caminho profissional consolidado. A Deel afirma que a função ainda está em processo de definição e reúne perfis bastante diferentes.

Em uma ponta estão profissionais envolvidos com anotação de dados, que classificam informações para ajudar no treinamento de modelos. Na outra estão especialistas capazes de avaliar sistemas em áreas que exigem conhecimento profissional específico.

Essa variedade ajuda a explicar por que uma graduação tradicional não necessariamente prepara alguém para ocupar uma vaga com esse nome.

Para um médico, por exemplo, a experiência clínica pode ser utilizada na avaliação de respostas de uma IA aplicada à saúde. Um tradutor pode contribuir para verificar qualidade linguística. Um profissional de tecnologia pode atuar na avaliação de sistemas e ferramentas.

Inteligência artificial muda as competências exigidas

O crescimento dos AI trainers ocorre dentro de uma transformação mais ampla do mercado. O World Economic Forum aponta AI e machine learning entre as categorias de empregos com maior crescimento percentual esperado até 2030.

O mesmo relatório estima que 39% das competências atualmente utilizadas no trabalho deverão ser transformadas até 2030. Entre as habilidades que ganham importância estão conhecimentos tecnológicos, pensamento analítico e criatividade.

Outro levantamento, realizado pela Lightcast para o AI Index de Stanford, mostra que as menções a habilidades relacionadas à IA generativa em vagas nos Estados Unidos passaram de cerca de 16 mil em 2023 para mais de 66 mil em 2024.

Para profissionais de outras áreas, isso significa que conhecimento de IA pode se somar à especialidade original, em vez de necessariamente substituí-la.

O que o profissional pode aprender

A expansão desses cargos também ajuda a explicar por que habilidades relacionadas à inteligência artificial passaram a aparecer em funções que não eram tradicionalmente associadas à tecnologia.

Para quem já trabalha, algumas competências podem ser aplicadas em diferentes áreas: compreender como modelos de IA funcionam, saber formular instruções, avaliar respostas, identificar erros e utilizar ferramentas de forma responsável.

O mercado ainda está definindo nomes, responsabilidades e caminhos de formação para essas funções. O caso dos AI trainers mostra, porém, como novas categorias profissionais podem surgir rapidamente quando uma tecnologia passa a fazer parte das atividades de empresas e trabalhadores.

Em vez de depender apenas de uma graduação específica, algumas dessas ocupações combinam conhecimento profissional, habilidades digitais e domínio de inteligência artificial. A tendência torna a atualização contínua uma parte cada vez mais presente das trajetórias profissionais.

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