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(oxygen/Getty Images)
Redatora
Publicado em 19 de julho de 2026 às 05h05.
Nenhuma obra nasce pronta. Entre a primeira ideia e a versão final, há pesquisas, referências, testes, erros e inúmeras revisões. É justamente nesse percurso, e não apenas no resultado, que a inteligência artificial começou a ganhar espaço entre profissionais da economia criativa.
Cada vez mais, artistas, designers, escritores e criadores de conteúdo incorporam novas ferramentas ao fluxo de trabalho, redefinindo etapas tradicionais do processo criativo e levantando uma discussão que vai além da tecnologia: onde termina a ferramenta e começa a autoria?
É justamente nessa fase que a inteligência artificial generativa vem conquistando espaço entre profissionais da economia criativa.
Em vez de substituir o processo artístico, a tecnologia tem sido utilizada para acelerar tarefas repetitivas, ampliar repertórios visuais e textuais e facilitar a experimentação de ideias.
Para muitos criadores, a principal contribuição da inteligência artificial está na capacidade de acelerar a fase de experimentação.
Em poucos minutos, é possível gerar dezenas de referências visuais, testar estilos, explorar combinações de cores ou imaginar cenários que levariam horas para serem produzidos manualmente.
A designer francesa Marie Laffont, por exemplo, utilizou IA para criar o catálogo de uma coleção inspirada em uma Nova York distópica.
Segundo a artista, a tecnologia permitiu desenvolver mundos que existiam apenas em sua imaginação e superar limitações de orçamento e logística comuns em produções fotográficas.
Outro impacto percebido pelos profissionais é a redução do tempo gasto com tarefas operacionais. Em vez de começar um projeto do zero, muitos utilizam a IA para produzir um primeiro rascunho, organizar informações ou reunir referências que depois serão revisadas e adaptadas.
A escritora e editora Marcela Ortiz-Rubio afirma que recorre à inteligência artificial para revisar textos, sugerir títulos e otimizar conteúdos para mecanismos de busca. Ainda assim, ela destaca que a criatividade, a apuração e a construção da narrativa continuam sendo responsabilidade do autor.
Esse uso também tem ganhado espaço entre criadores de conteúdo, que utilizam a tecnologia para estruturar pautas, organizar calendários editoriais e testar abordagens antes da produção final.
Embora a IA consiga gerar imagens, textos e músicas em poucos segundos, especialistas e artistas defendem que ela não substitui decisões criativas. A escolha do conceito, da linguagem, do estilo e da mensagem permanece nas mãos de quem conduz o projeto.
O fotógrafo e diretor de arte Charlie Engman vê a IA como uma ferramenta para questionar padrões e explorar possibilidades estéticas, mas ressalta que o valor artístico continua ligado ao olhar humano. Para ele, os modelos ajudam a investigar novas relações entre imagens, sem eliminar a interpretação do criador.
Essa percepção também aparece entre cenógrafos e arquitetos, que utilizam sistemas generativos para visualizar espaços, iluminação e ambientações antes da execução física dos projetos.
À medida que essas ferramentas se tornam mais acessíveis, cresce também a discussão sobre transparência, direitos autorais e originalidade. Muitos profissionais defendem que a inteligência artificial deve atuar como apoio ao processo criativo, e não como substituta da autoria.
Na prática, o diferencial deixa de ser apenas dominar uma ferramenta e passa a ser fazer boas escolhas: saber formular comandos, selecionar resultados, editar materiais e transformar sugestões da IA em projetos com identidade própria.