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Colar contrato, código ou dados de clientes na IA pode custar caro: o que não compartilhar (Imagem gerada por IA)
Jornalista
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 16h35.
Pedir a um chatbot que resuma um contrato, revise uma planilha ou corrija um trecho de código virou rotina em muitos escritórios. O problema é que, em ferramentas de inteligência artificial generativa, o que o usuário digita ou anexa pode ser armazenado e, dependendo das configurações, usado para treinar novos modelos.
Em 2023, engenheiros da Samsung colaram código-fonte em um chatbot público, e a empresa passou a restringir o uso dessas ferramentas. O caso virou referência de vazamento por prompt, quando a informação sai da empresa por meio de uma simples pergunta.
Segundo o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, incidentes com shadow AI estiveram presentes em cerca de 20% das violações de dados analisadas e elevaram o custo médio em aproximadamente US$ 670 mil. Shadow AI é o uso de ferramentas não autorizadas pela empresa, como contas pessoais de chatbots.
O estudo também apontou que a grande maioria das organizações com incidentes ligados a IA não tinha controles de acesso adequados para essas ferramentas.
Nomes, CPF, e-mails, histórico de compras e registros de atendimento são dados pessoais protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Anexar a planilha de um CRM a um chatbot para pedir uma análise de perfil, por exemplo, pode configurar compartilhamento indevido.
Contratos costumam ter cláusulas de confidencialidade. Enviar a minuta de um acordo, atas de reunião, planos estratégicos ou comunicados ainda não divulgados pode violar essas obrigações, já que ferramentas públicas nem sempre garantem o mesmo nível de sigilo.
Balanços não publicados, projeções, valores de propostas e dados de fusões e aquisições são sensíveis. Em empresas de capital aberto, parte dessas informações pode ser considerada informação privilegiada, e sua divulgação tem consequências legais.
Trechos de código, arquiteturas de sistemas e, principalmente, chaves de API e senhas não devem ser colados em chatbots. Um desenvolvedor que envia um módulo inteiro para pedir uma correção de erro pode expor a propriedade intelectual da empresa e brechas de segurança.
O primeiro passo é consultar a política interna de IA da empresa, quando ela existe. Versões corporativas das ferramentas costumam oferecer contratos que impedem o uso dos dados para treinamento, o que não acontece, em geral, com contas gratuitas e pessoais.
Outra prática é anonimizar as informações antes de enviar: trocar nomes por códigos, remover valores e usar dados fictícios em exemplos. Também é possível desativar o histórico de conversas e revisar as configurações de privacidade de cada plataforma.
Vale lembrar que a LGPD prevê sanções da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que podem chegar a 2% do faturamento, limitadas a R$ 50 milhões por infração. Por isso, empresas têm criado regras, treinamentos e ferramentas aprovadas para o uso de IA no dia a dia.