Inteligência artificial está "transformando" a programação, diz cofundador da OpenAI (Michael Macor/The San Francisco Chronicle via Getty Images)
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Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 10h26.
Última atualização em 29 de janeiro de 2026 às 10h42.
O ex-diretor de inteligência artificial (IA) da Tesla e cofundador da OpenAI, Andrej Karpathy, afirmou que a engenharia de software passa por uma "mudança de fase" com os agentes de programação, como o Claude Code, da Anthropic, e o Codex, da OpenAI.
A declaração consta em suas "notas de Claude Coding", divulgada na segunda-feira, 26, na rede social X. O material repercutiu entre engenheiros da Anthropic, xAI e outras empresas do setor.
Ele relatou, a partir de suas próprias experiências, como os modelos superaram o "limiar de coerência" no fim de 2025 e mudaram a maneira como engenheiros escrevem código.
Segundo Karpathy, em poucos meses, seu fluxo de trabalho se inverteu. Em novembro, ele escrevia cerca de 80% do código manualmente, os agentes eram apenas um apoio. Desde dezembro a proporção mudou, com cerca de 80% do código feito pelos modelos, enquanto ele se concentra nas revisões.
O executivo chama essa transição de poderosa, ainda que "fira o ego" de quem aprendeu programação de forma tradicional. "Já notei que estou começando a perder lentamente minha habilidade de escrever código manualmente", escreveu.
Para Karpathy, a codificação feita por IA tem uma função diferente da ensinada em cursos de ciência da computação, e a programação tradicional pode estar em declínio.
Karpathy é uma das principais referências da área e cunhou o termo "vibe coding", programação guiada por instruções em linguagem natural. O conceito se popularizou e foi eleito palavra do ano pelo dicionário Collins.
A publicação de Karpathy gerou reações públicas de profissionais do setor. Ethan He, engenheiro de IA e ex-funcionário da Nvidia, afirmou que um "engenheiro 10x" pode se tornar um "exército de um homem só" com o uso de IA.
Já Charles Weill, engenheiro da xAI, comparou a atuação de fundadores com os modelos à forma como investidores de capital de risco distribuem recursos entre várias empresas.
Boris Cherny, integrante da equipe da Anthropic e criador do Claude Code, afirmou que elas refletem o rumo da indústria. Segundo ele, a equipe do Claude é formada por engenheiros de todas as áreas, que também usam o sistema para programar.
Cherny disse que há mais de dois meses não realiza nem pequenas edições manuais. Ele também citou problemas de qualidade, como código complexo sem necessidade ou com trechos inúteis.
A solução adotada, segundo ele, é fazer com que a IA revise o código gerado por outros modelos, num ciclo de produção e revisão automatizado que, para Karpathy, já redefine a engenharia de software.