Inteligência Artificial

China impede entrada de chips H200 da Nvidia, apesar de aval dos EUA

Autoridades chinesas instruem alfândega e empresas a evitar chip de inteligência artificial fabricado em terras estadunidenses, mesmo com a liberação do governo Trump

Bloqueio chinês acirra disputa com os EUA na corrida pela IA (I-HWA CHENG/Getty Images)

Bloqueio chinês acirra disputa com os EUA na corrida pela IA (I-HWA CHENG/Getty Images)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 13h18.

As autoridades alfandegárias da China foram instruídas nesta semana a não permitir a entrada dos chips de inteligência artificial H200, da Nvidia, mesmo após o governo dos Estados Unidos autorizar a exportação. As informações foram divulgadas pela Reuters.

Fontes ouvidas pela agência de notícias afirmaram que o governo chinês foi categórico quanto à importação dos chips fabricados nos EUA.

Ainda segundo a Reuters, autoridades chinesas se reuniram com empresas de tecnologia nacionais nesta terça-feira, 13, e as instruíram a não comprar os chips, a menos que fosse extremamente necessário.

"A linguagem usada pelas autoridades é tão severa que, por enquanto, é praticamente uma proibição", disse uma das fontes.

Os motivos de Pequim para barrar a importação dos chips da Nvidia ainda não foram divulgados. Além disso, as fontes não indicaram se a medida se aplica apenas a novas encomendas ou a pedidos já realizados.

Ponto de atrito

Considerado o segundo chip de IA mais poderoso da Nvidia, o H200 se tornou um ponto de atrito na relação China-EUA. A venda do produto ao mercado chinês foi recentemente autorizada pelo governo de Donald Trump, sob condições específicas.

O chip é alvo de forte demanda por empresas chinesas de tecnologia, interessadas em ampliar o treinamento de seus modelos de IA. Segundo a Reuters, a China encomendou mais de dois milhões de chips H200, a cerca de US$ 27 mil cada — volume que supera o estoque divulgado pela Nvidia, de 700 mil unidades. Só esse fator já entra em conflito com a condição imposta pelos EUA de limitar a participação da China em, no máximo, 50% do total de chips vendidos a clientes americanos.

Apesar da forte demanda no mercado e das negociações, Pequim havia demonstrado receio com a entrada do chip no país, que poderia representar riscos como exposição de dados, aumento da dependência externa e menor estímulo à indústria local de semicondutores.

Já do lado dos EUA, críticos da relação comercial com a China alertam que a exportação de chips de alto desempenho pode acelerar a corrida por inteligência artificial e favorecer a posição do país asiático no setor.

Quem ganha mais?

Segundo a Reuters, analistas divergem sobre quem seria o maior beneficiário com a retomada das negociações de chips de IA entre as duas potências.

Nos EUA, autoridades argumentam que a medida não só favoreceria a Nvidia em receita, mas ajudaria a empresa a se consolidar no setor e, por outro lado, desencorajaria concorrentes locais de acelerar o desenvolvimento de alternativas aos seus produtos. Para o governo, haveria ainda uma taxa de 25% sobre as vendas.

Já em Pequim, a leitura é de que Washington estaria pressionado a vender esses chips — o que daria à China margem para buscar concessões em troca da aprovação de licenças.

Segundo o site The Information, o governo chinês discute restringir a importação dos chips H200 para projetos de pesquisa e desenvolvimento, especialmente quando realizados em conjunto com universidades.

Entrave é mais um capítulo na corrida pela IA

A tensão entre as duas potências mundiais quanto aos chips avançados de IA antecedem os modelos H200. Desde 2022, Washington tem ampliado o controle sobre a exportação de semicondutores de alto desempenho e equipamentos de fabricação para a China, sob o argumento de proteger a segurança nacional e preservar a liderança dos EUA no setor.

No ano passado, quando a administração Trump autorizou a venda do chip H20 — de desempenho inferior  — ao país asiático, Pequim bloqueou as aquisições. Com isso, a participação da Nvidia no mercado chinês de semicondutores se aproximou de zero, segundo o presidente-executivo da empresa, Jensen Huang.

O H200 representa um salto tecnológico importante quando comparado ao H20: tem o desempenho seis vezes superior e é considerado o mais eficiente para o treinamento em larga escala de modelos avançados de IA, mesmo diante do avanço de processadores próprios, como o Ascend 910C, da Huawei.

Procuradas pela Reuters, a Administração Geral das Alfândegas da China, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação e a Comisssão Nacional de Desenvolvimento e Reforma não responderam. A Nvidia também não comentou o caso.

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