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Contas bancárias: instituições restringem acesso de agentes de IA externos aos seus sistemas (Mike Kemp/Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 22 de outubro de 2026 às 16h35.
Agentes de inteligência artificial estão no centro de uma disputa sobre o acesso a contas bancárias nos Estados Unidos. O JPMorgan afirma bloquear serviços que usam credenciais compartilhadas, e o Chase exige identificação das ferramentas automatizadas. Autorizar uma IA a consultar dados não significa que o banco aceite sua conexão. Integrações somente de leitura oferecem uma modalidade distinta do acesso capaz de executar ações.
Grandes bancos americanos identificaram agentes de IA externos acessando contas de clientes, segundo reportagem do Axios publicada nesta quinta-feira, 22.
No JPMorgan, o tema já chegou à apresentação de resultados. Em 13 de outubro, o diretor financeiro Jeremy Barnum afirmou que a instituição bloqueia, quando consegue, serviços baseados no compartilhamento de credenciais e na coleta automatizada de informações das telas, prática conhecida como screen scraping.
O episódio se insere na disputa sobre quais agentes de IA podem entrar nos sites e agir em nome dos usuários. A autorização do titular e a aceitação da ferramenta pelo banco são questões distintas: um cliente pode entregar suas credenciais a um serviço que a instituição não permite usar.
O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, disse na mesma teleconferência que o grupo utiliza agentes internamente, mas considera arriscado permitir a entrada irrestrita de ferramentas externas. Barnum afirmou que o banco trabalha em uma forma adequada de viabilizar essas conexões.
Os termos de uso do Chase exigem que agentes se identifiquem, sinalizem o tráfego automatizado e respondam com veracidade a perguntas destinadas a distingui-los de pessoas. A instituição também reserva o direito de limitar, suspender ou bloquear esse acesso.
O contrato de serviços digitais, atualizado em outubro, vai além: prevê que instruções enviadas por um agente com acesso fornecido pelo titular sejam tratadas como instruções do próprio cliente. O documento atribui a quem habilita a ferramenta a responsabilidade por erros de interpretação ou ações que ultrapassem a autorização concedida.
Esse é o posicionamento contratual do banco, não uma conclusão judicial sobre a responsabilidade em todo eventual conflito. O risco de uma ferramenta agir fora do esperado já alimenta negócios de monitoramento e seguros contra falhas de agentes.
Há integrações desenhadas para funções mais limitadas. A Plaid descreve a conexão do Personal CFO, da Perplexity, como um acesso somente de leitura: o usuário escolhe os dados que compartilha, e a ferramenta os utiliza para análises e painéis financeiros.
Essa modalidade é diferente de entregar a um agente acesso para executar operações na conta. No Brasil, a EXAME já mostrou uma integração da Belvo com dados bancários via Open Finance, também baseada no consentimento do usuário.
Restringir ferramentas externas não significa abandonar a tecnologia. A Charles Schwab anunciou em setembro o Charley, assistente próprio com implantação gradual a partir de outubro, para consultar informações e executar determinadas tarefas. A companhia alerta que os resultados podem ser imprecisos e orienta os clientes a conferir se as alterações solicitadas foram realizadas corretamente.
As regras e os alertas dos bancos mostram preocupações com controle e responsabilidade. Por si só, não comprovam que houve roubo de dinheiro ou transferências indevidas realizadas por esses sistemas.
Os termos do Chase reservam ao banco o direito de restringir ou impedir o acesso dessas ferramentas.
Identificação como IA, sinalização do tráfego automatizado e respostas verdadeiras sobre a natureza da interação.
A integração do Personal CFO descrita pela Plaid permite consultar informações, não executar operações bancárias.
Não. JPMorgan e Schwab também utilizam ou desenvolvem ferramentas próprias.