Inteligência Artificial

A história que a Globo precisou de inteligência artificial para contar

Em ‘Justiça 2’, ator cadeirante apareceu andando em cenas com o auxílio de IA generativa 

O ator paraplégico Luciano Mallmann conseguiu aparecer de pé em cenas de flashback do seu personagem Cassiano em "Justiça 2" (Globoplay/Captura de tela/Divulgação)

O ator paraplégico Luciano Mallmann conseguiu aparecer de pé em cenas de flashback do seu personagem Cassiano em "Justiça 2" (Globoplay/Captura de tela/Divulgação)

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial

Publicado em 6 de junho de 2024 às 13h47.

Última atualização em 20 de junho de 2024 às 13h59.

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Faz quase dois anos que o termo “inteligência artificial” está na boca do povo, e as grandes empresas do mundo já fazem uso diário da tecnologia para otimizar tempo, custos e mais. Os streamings, por exemplo, já utilizam da IA generativa para criar legendas, audiodescrição, melhora da sonorização e até inserção de objetos em séries e filmes – e, por aqui no Brasil, a Globo também faz uso da ferramenta para a edição de suas produções originais.

Em “Justiça 2”, série lançada pelo Globoplay, o ator paraplégico Luciano Mallmann conseguiu aparecer de pé em cenas de flashback do seu personagem. Na obra da autora Manuela Dias, ele interpreta Cassiano, ex-atleta que ficou paraplégico após ser agredido por Nestor (Marco Ricca) num ataque motivado por homofobia. Para buscar justiça, ele estuda Direito e se torna advogado. O personagem é casado com João (Jorge Guerreiro), que segue ao seu lado mesmo sem apoiar sua vingança.

Apesar da mistura de IA e arte assustar, o exemplo em “Justiça 2” mostra como a ferramenta pode ser utilizada para expandir o limite criativo. “Eu já perdi muitas oportunidades de trabalho por ser um ator com deficiência. Mesmo em casos de personagens cadeirantes, eu não poderia interpretá-los porque eles adquiriram a deficiência no decorrer da história ou então no final eles voltavam a caminhar”, explica Mallmann, que confirma que já sabia desde o início que técnicas de IA seriam aplicadas em algumas cenas.

Como foi feita a cena?

Mallmann trabalhou em conjunto com o dublê Bruno Breves, além do diretor Gustavo Fernández e a autora Manuela Dias, para criar as cenas do passado. Foram feitas duas gravações, uma com Mallmann e outra com um dublê caminhando. 

“As filmagens foram feitas já com a perspectiva de contar com o auxílio da IA generativa. Dessa forma, houve uma preparação específica para que a cena pudesse ser captada e, posteriormente, finalizada em um trabalho integrado entre as equipes da dramaturgia e tecnologia”, disse Paulo Rabello, diretor do hub de operações de conteúdo da Globo. 

Na pós-produção, a IA generativa foi utilizada para aprimorar o processo de edição digital das imagens que permitiu inserir o rosto e interpretação de Mallmann no corpo do dublê - o resultado é a presença do ator na cena sem a cadeira de rodas. 

Segundo a Globo, a produção foi aprimorada com o aprendizado da máquina (machine learning) a partir dos movimentos e leitura do ator, permitindo adicionar o rosto dele no corpo de outra pessoa com precisão.  

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