Repórter
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 15h51.
A maioria das empresas brasileiras ainda enfrenta dificuldades para incorporar a inteligência artificial (IA) de forma estruturada, apesar do crescente uso da tecnologia no ambiente corporativo. É o que mostra uma pesquisa inédita divulgada pela Abiacom, Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce, em parceria com a Brazil Panels e a escola de negócios Lideres.ai.
Segundo o levantamento, 72% das empresas estão nos estágios iniciante ou experimental de adoção da IA. O dado revela um cenário de interesse crescente, mas com baixa maturidade estratégica. Mesmo assim, o uso informal da tecnologia já é significativo: 47,4% dos profissionais relatam utilizar ferramentas de IA sem aprovação oficial, prática conhecida como Shadow AI.
A pesquisa ouviu 200 profissionais em todo o Brasil, entre outubro e novembro de 2025. Um dos principais alertas é que 59,1% das empresas ainda não estabeleceram diretrizes formais para o uso da IA, o que acende o sinal vermelho para falhas em governança e segurança da informação.
“Estamos vivendo o maior movimento de transformação digital desde a popularização da internet”, afirma Claudio Vasques, CEO da Brazil Panels. Para ele, o desafio é transformar o interesse em estratégia concreta: “As empresas querem avançar, mas esbarram na falta de estrutura, governança e capacitação”.
As áreas que lideram o uso oficial de IA são Marketing e Atendimento ao Cliente, com cerca de 24% de adoção, seguidas por Vendas e Tecnologia da Informação. Já setores como Recursos Humanos, Jurídico, Compras e Logística ainda utilizam pouco a tecnologia, apesar do potencial de automação e ganho de eficiência.
A percepção de oportunidade convive com entraves culturais. Para 70% dos entrevistados, há atividades em suas rotinas que poderiam ser automatizadas por IA. No entanto, o receio de substituição de empregos dificulta o avanço. Parte dos profissionais vê a tecnologia como ameaça, enquanto outros acreditam que ela transformará rotinas sem necessariamente eliminar funções.
O ambiente empresarial está dividido: cerca de um terço dos profissionais vê a IA como mais oportunidade do que risco. “Se a empresa não investir em treinamentos, seguirá com equipes sem conhecimento técnico, com medo da inovação ou usando ferramentas de forma escondida”, alerta Mauricio Salvador, presidente do comitê de IA da Abiacom. Para ele, a falta de preparo pode comprometer a competitividade e a segurança operacional.
Apesar dos desafios, o estudo indica uma tendência de avanço. Mais da metade das empresas afirmam que pretendem investir em inteligência artificial nos próximos 12 meses.