EXAME Agro

Mesmo com o risco de La Ninã, colheita de soja avança para produção recorde

O Mato Grosso, principal estado produtor do grão, lidera o ritmo dos trabalhos

Colheita de soja: 7% da área mato-grossense já havia sido colhida (Freepik)

Colheita de soja: 7% da área mato-grossense já havia sido colhida (Freepik)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 16h27.

Mesmo com o La Niña no radar, os primeiros números da colheita da soja no Brasil indicam uma safra promissora. Até 15 de janeiro, 2% da área cultivada no país já havia sido colhida, segundo levantamento da AgRural — um leve avanço em relação aos 1,7% registrados no mesmo período do ano passado, e em linha com a média dos últimos cinco anos.

Segundo Adriano Gomes, analista da consultoria, o Mato Grosso, principal estado produtor do grão, lidera o ritmo da colheita. “O produtor conseguiu entrar no intervalo das chuvas para tirar a soja pronta do campo”, afirma.

Até o momento, 7% da área mato-grossense já havia sido colhida — acima da média histórica de 5% e bem à frente do 1% registrado no mesmo período de 2025.

Apesar das chuvas frequentes, que cobrem praticamente todo o estado, a colheita avança de forma satisfatória, com relatos pontuais de grãos colhidos com umidade ligeiramente acima do ideal, segundo Gomes.

A região Médio-Norte de Mato Grosso, que inclui municípios como Sorriso, Sinop e Lucas do Rio Verde, se destaca por ter um calendário mais adiantado, o que facilita o avanço das máquinas no campo.

Por outro lado, no Paraná, a colheita está atrasada em relação à média e ao desempenho do ano passado.

“O tempo mais fechado, com muitos dias nublados e frios durante o desenvolvimento da soja, alongou o ciclo das lavouras, especialmente na região Oeste”, diz Gomes.

Apesar disso, a produtividade inicial nos dois estados é considerada positiva e reforça a perspectiva de que o Brasil deve renovar o recorde de produção na safra 2025/26, com uma colheita estimada em 177 milhões de toneladas, de acordo com projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A colheita também já começou — ainda que de forma pontual — em outros estados, mas as lavouras mais tardias, especialmente no Matopiba (acróstico para Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e no Rio Grande do Sul, ainda demandam atenção quanto ao clima, uma vez que o La Niña segue no radar.

La Niña perde força

O fenômeno La Niña, que persiste desde o segundo semestre de 2025, tem influenciado o padrão climático atual, mas ainda não impactou diretamente a colheita da soja no Brasil.

As chuvas têm sido bem frequentes na região central do Brasil, enquanto no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, os volumes diminuíram”, afirma Adriano Gomes, analista da consultoria AgRural.

Embora ainda não haja prejuízos diretos à produção, a irregularidade hídrica nessas áreas já começa a gerar preocupação entre os produtores.

O La Niña é um fenômeno climático caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico na região tropical, o que provoca uma série de efeitos meteorológicos — entre eles, chuvas mais intensas na Ásia e clima mais seco em partes da América do Sul.

No Brasil, a atenção se volta especialmente para o Centro-Oeste e o Sul, já que os estados de Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul respondem por mais de 80% da produção nacional de soja.

“A influência de fenômenos climáticos não é instantânea. Existe um atraso entre o início do evento e seus efeitos reais. Da mesma forma, quando um fenômeno termina, seus impactos não desaparecem imediatamente”, diz o meteorologista Willians Bini.

Segundo dados da Agência de Meteorologia dos Estados Unidos (NOAA), atualizados em janeiro de 2026, o La Niña deve perder força nos próximos meses.

Há 75% de chance de transição para a neutralidade climática entre janeiro e março, o que tende a favorecer um regime de chuvas mais equilibrado até o final do outono.

"O La Niña está enfraquecendo rapidamente e deve persistir, no máximo, até o primeiro trimestre de 2026. A expectativa é de que o fenômeno dê lugar ao El Niño no segundo semestre, o que seria muito positivo para o setor agropecuário", diz Bini.

Acompanhe tudo sobre:La NiñaSojaAgronegócioSafras agrícolas

Mais de EXAME Agro

Os 10 países que mais compraram café do Brasil em 2025

Com a produção de arroz em queda neste ano — como ficam os preços em 2026?

China retomará importação de carne de frango do Rio Grande do Sul

Produção de café e carne impulsionam agro de SP em 2025, diz levantamento