Economia

Feriados de 2026 podem tirar R$ 17 bilhões do comércio paulista

O valor representa uma alta de 13,9% em relação a 2025, quando as perdas estimadas somaram R$ 14,9 bilhões

Comércio: supermercados devem registrar o maior volume absoluto de perdas (Leandro Fonseca/Exame)

Comércio: supermercados devem registrar o maior volume absoluto de perdas (Leandro Fonseca/Exame)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 09h03.

O comércio do estado de São Paulo deve deixar de faturar R$ 17 bilhões em 2026 por causa do calendário de feriados, pontos facultativos e folgas prolongadas em dias úteis.

A estimativa consta em estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), publicado pelo jornal Valor Econômico.

O valor representa uma alta de 13,9% em relação a 2025, quando as perdas estimadas somaram R$ 14,9 bilhões, com nove feriados em dias úteis. Em termos absolutos, a diferença chega a R$ 2,1 bilhões.

Mais feriados, menos compras por impulso

Segundo a FecomercioSP, o impacto ocorre principalmente pela redução da circulação de pessoas nos dias úteis afetados pelo calendário. A pesquisa aponta que os setores mais atingidos são aqueles ligados ao consumo imediato, como supermercados, farmácias, postos de combustíveis, lojas de vestuário e de móveis.

O estudo estima que o faturamento total do varejo paulista tenha alcançado R$ 1,5 trilhão em 2025. Nesse contexto, as perdas projetadas para 2026 representam cerca de 1,1% da receita anual do setor.

Apesar de o impacto ser considerado pequeno em termos agregados, a federação avalia que ele ainda é relevante para pequenos comerciantes, especialmente aqueles que não conseguem abrir em feriados ou enfrentam custos adicionais para funcionar nesses dias.

Supermercados concentram maior perda

Entre os segmentos analisados, os supermercados devem registrar o maior volume absoluto de perdas, com cerca de R$ 8,2 bilhões a menos em faturamento. O montante equivale a 48,4% do total estimado e representa uma alta de 15% em relação a 2025.

Já o setor de farmácias e perfumarias deve apresentar a maior alta proporcional, com crescimento de 15,8% nas perdas, que devem chegar a R$ 2,3 bilhões.

O grupo classificado como “outras atividades”, no qual predomina o comércio de combustíveis, deve concentrar prejuízo de R$ 4,2 bilhões, avanço de 11,1% na comparação anual.

As lojas de vestuário, tecidos e calçados devem deixar de faturar quase R$ 2 bilhões, alta de 14,9% em relação a 2025. Já o segmento de móveis e decoração aparece como o menos afetado, com perdas estimadas em R$ 280 milhões, crescimento de 5,8%.

Serviços e turismo devem se beneficiar

Enquanto o comércio varejista sente o impacto negativo, a federação avalia que os feriados prolongados tendem a favorecer o turismo e o setor de serviços. Municípios com vocação turística devem receber maior fluxo de visitantes, beneficiando atividades como transporte, bares e restaurantes.

Também não são esperadas perdas em segmentos de compras planejadas, como veículos e eletrodomésticos, já que a avaliação é de que o consumidor tende a adiar a aquisição para outro dia útil.

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